Anprotec reivindica sistema nacional para empreendimentos inovadores

C&T Política - BR

De São Luís (MA) - A presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), Francilene Procópio, criticou ontem (23) as políticas públicas brasileiras voltadas para parques tecnológicos e incubadoras de empresas. Na avaliação dela, falta no país um sistema coordenado para esse segmento, que articule ações nos níveis federal, estaduais e municipais.

“Ainda não temos uma política formal de parques tecnológicos em nosso país. Temos que ter nosso Sistema Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras, que foi proposto ainda em 2008”, pleiteou durante o fórum conjunto dos conselhos nacionais de Secretários Estaduais para Assuntos de CT&I (Consecti) e das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap), que acontece na capital maranhense até amanhã (25).

“Certamente esse sistema tem que ser criado para que a gente tenha um conceito integrado, com mecanismos de avaliação continuados. É impossível lidar com a situação que uma chamada saia em um ano e depois esperemos mais cinco anos, sem que tenhamos como nos planejar”, analisa.

Dados apresentados pela presidente da Anprotec mostram que existem no Brasil 94 projetos de parques tecnológicos. No entanto, apenas 28 deles estão em operação. “É importante ter um olhar específico e saber porque tantos projetos não se tornam ações efetivas”, diz.

Para mudar esse quadro é preciso, de acordo com ela, estabelecer no país um instrumento capaz de articular os Estados e aplicar melhor o conjunto de políticas públicas em torno de ciência, tecnologia e de inovação, com foco nos empreendimentos inovadores. “Temos que estar preparados para atuar com programas descentralizados”, acrescenta.

Para tanto é preciso buscar alternativas de sustentabilidade, alinhadas com o desenho de cada Estado e com as vocações regionais, tendo por diretriz as políticas de desenvolvimento do país e estaduais. “Temos que estar de olho nesse contexto regional e nacional. Precisamos avançar com as políticas públicas estratégicas, que de fato tenham impactos”, pontua.

Nesse cenário é fundamental aperfeiçoar a gestão de parques tecnológicos, ampliar os investimentos públicos e privados, consolidar os ambientes físicos, fortalecer o relacionamento das instituições cientificas e tecnológicas com estes ambientes de maneira que não precise experimentar por tentativa e erro, mas sim fazer os projetos de maneira clara, com os marcos regulatórios nos apoiando para que possamos dar os passos com firmeza”.

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Álvaro Toubes Prata, a pasta busca fortalecer as ações já existentes, a exemplo da Lei do Bem (11.196/2005), do Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec) e da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que já neste semestre ganhará novos associados.

“A intenção do ministro Raupp [ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp] é seguir fortalecendo todos estes instrumentos, como o Programa Nacional de Apoio a Incubadoras de Empresas e Parques Tecnológicos, uma iniciativa recente, mas com avanço sem paralelo quando comparado a outros países”, destaca.

Balanço recente sobre o setor de empreendimentos inovadores mostrou que existem hoje no país 16.394 empresas em 384 incubadoras. O faturamento anual das instituições incubadas gira em torno de R$ 226 milhões. De acordo com o relatório, 55% das empresas desenvolvem produtos em nível nacional. Vale destacar também que 28% das empresas têm atividades voltadas para a economia local e 15% delas já alcança o mercado internacional.

A presidente da Anprotec lembra que para manter essa rota de crescimento é preciso ter foco no acesso aos canais de mercado e no fortalecimento da base empresarial brasileira. “Precisamos de políticas que  estes apoiem empreendimentos desde a sua fase semente, quando essas ideias de alguma maneira são colocadas para fora dos espaços das universidades e dos institutos de pesquisa para que possamos construir uma nova base econômica produtiva no Brasil”, completa.

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