Cientistas testam método que poderá erradicar dengue em até 10 anos

C&T Saúde - BR

O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, anunciou ontem (25), durante o 18º Congresso Internacional de Medicina Tropical e Malária, na capital fluminense, que está em desenvolvimento um novo método que poderá erradicar a dengue no Brasil em até 10 anos. O procedimento consiste no desenvolvimento de uma bactéria chamada Wolbachia aliado à aplicação de vacinas contra a dengue.

Apesar da boa notícia, o secretário alerta que ainda levará alguns anos até a eliminação da dengue. De acordo com Barbosa, em um cenário otimista a vacina estaria pronta para testes em cinco anos. “Quando estas novas tecnologias estiverem comprovadamente disponíveis, a gente vai ter condições de dar um pulo. E talvez pensar não só no controle da dengue, mas em uma futura eliminação da doença como problema de saúde pública”, afirmou.

Segundo ele, recentemente a empresa farmacêutica Sanofy testou uma vacina que se mostrou efetiva contra três dos quatro subtipos de dengue. “A vacina não protegeu contra o tipo dois. Com esse resultado, ela fica inviabilizada para uso imediato na população. Ao mesmo tempo, começam no Brasil os primeiros ensaios clínicos da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, de São Paulo”, disse.

De acordo com o cientista Luciano Moreira, da Fundação Oswaldo Cruz, e um dos coordenadores do Programa Eliminar a Dengue – Desafio Brasil, ao mesmo tempo em que laboratórios desenvolvem pesquisas com vacinas, o desenvolvimento do método de combate com a bactéria Wolbachia já está em teste de campo na Austrália e começa a ser testada contra o Aedes aegypti, no Brasil em 2014.

Na sua opinião, esta nova estratégia traz uma grande esperança para a diminuição desta doença, que somente no ano passado, segundo dados do governo federal, acometeu mais de 1 milhão de pessoas no Brasil, gerando gastos da ordem de R$ 800 milhões. “Estamos bastante confiantes no sucesso deste método. A vantagem é que ele é natural, pois a bactéria já ocorre na natureza. Além disso, é seguro e autossustentável, pois no momento em que a bactéria vai para a natureza ela se espalha e não precisa ficar colocando mais desses mosquitos”, lembrou.

No Brasil, as pesquisas com este novo método começarão em 2013 com a contaminação de um grupo de mosquitos em viveiro. No ano seguinte eles deverão ser soltos em alguma cidade do Rio de Janeiro, preferencialmente em local mais isolado, para que contaminem os demais mosquitos. A expectativa é que isso provoque uma queda no número de casos de dengue na região.

Origem do procedimento

Os inícios dos estudos para este novo procedimento começaram em 2006 na Austrália. O líder das pesquisas é o professor Scott O´Neill, que esteve presente no anúncio do novo método, juntamente com Barbosa e Moreira. O trabalho reúne pesquisadores em cinco países: Austrália, Brasil, China, Indonésia e Vietnã. Eles conseguiram introduzir a bactéria nos ovos do Aedes aegypti e descobriram que, ao contaminar o mosquito, a bactéria diminuía pela metade a vida dele, de 30 para 15 dias, além de eliminar os vírus da dengue que o contaminavam.

Na experiência feita na Austrália, em janeiro de 2011, na localidade de Yorkeys Knob, após dez semanas da primeira soltura, 100% dos mosquitos estavam contaminados com a Wolbachia.

(Agência Gestaõ CT&I de Notícias com informações da Agência Brasil)

consorcio-abre-chamada-para-apoio-financeiro-a-participacao-do-brokerage-event  O consórcio internacional INCOBRA lançou nesta segunda-feira (7) uma chamada para conceder apoio financeiro aos participantes do...
embrapii-desenvolvera-projetos-de-inovacao-com-empresas-brasileiras-e-britanicasCinco unidades e um polo da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) irão desenvolver sete projetos de inovação...
capes-financia-projetos-conjuntos-com-a-holanda-em-todas-as-areas-do-conhecimento  A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) lançou o edital nº 27/2017, referente ao Programa...
fapesp-e-cdti-anunciam-financiamento-para-pesquisa-inovativa  A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o Centro para el Desarrollo Tecnológico Industrial (CDTI)...
japao-e-brasil-financiam-projetos-em-varias-areas-do-conhecimentoA Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Sociedade Japonesa de Promoção da Ciência (JSPS, na sigla em...