Investimento chinês em inovação pode criar oportunidades para o Brasil

Especial - ANPROTEC

Investimentos da China em inovação pode aumentar cooperação em CT&I com o Brasil. Países mantém parceria há mais de 20 anos, como é o caso do satélite CBERS (foto) - Foto: InpeInvestimentos da China em inovação pode aumentar cooperação em CT&I com o Brasil. Países mantém parceria há mais de 20 anos, como é o caso do satélite CBERS (foto) - Foto: InpeFortaleza (CE) - O 13º Plano Quinquenal da República Popular da China estabelece metas ousadas para o desenvolvimento da economia. O governo central almeja alcançar um crescimento econômico de, pelo menos, 6,5% por ano. O objetivo é duplicar, até 2020, o Produto Interno Bruto (PIB) e o rendimento ‘per capita’ que o país tinha em 2010. A inovação é a palavra chave dessa política lançada em março.

A China quer se tornar uma potência em inovação. Os asiáticos esperam avançar com esforços combinados para promover a inovação construindo parques científicos e tecnológicos e atrair pesquisadores de primeira linha. Em suma, segundo o Herbert Chen, gestor do Tsinghua University Science Park (Tuspark), o principal parque tecnológico da Ásia, o objetivo é trocar o “made in China” encontrados em produtos de alta tecnologia por “created in China”.

“A economia chinesa cresceu 190 vezes desde 1976. Temos a segunda maior economia do mundo, mas o nosso PIB não vem diretamente da indústria de alta tecnologia. A eficiência da nossa economia ainda é muito baixa. Por exemplo, cinco chineses produzem o que um japonês produz. Esse modelo de desenvolvimento precisa ser consertado”, afirmou Cheng durante palestra na 26ª Conferência Anprotec, nesta terça-feira (18), na capital cearense.

Somente em Pequim, existem 15.455 empresas de alta tecnologia, mas juntas elas faturam menos que as gigantes Apple, Samsung, Siemens e Hitachi. De acordo com Embaixada da República Popular da China no Brasil, o país começará uma série de importantes projetos de inovação científica e tecnológica e estabelecerá dezenas de zonas de inovação em todo o país, com Beijing e Shanghai sendo pioneiras do esforço.

O Plano Quinquenal também enfatiza a atualização industrial e o desenvolvimento sustentável, definindo políticas de apoio para a agricultura moderna, energia limpa e eficiente, e telecomunicações móveis.

Para o Primeiro Secretário do Departamento de CT&I da Embaixada do Brasil em Pequim, Romero Maia, este é o momento para o Brasil aproveitar as oportunidades criadas pelo Memorando de Entendimento sobre cooperação bilateral na área de parques tecnológicos, firmado em junho de 2015. “Os dois países podem se desenvolver juntos, caso alinhem os esforços para interação entre esses ambientes de inovação”, afirmou o diplomata que também participou da mesa.

O presidente da Associação Nacional Promotora de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), Jorge Audy, elogiou o foco e a visão estratégica dos chineses. “O modelo chinês tem características interessantes. É um país grande como o Brasil, mas com uma economia em escala diferente. Os desafios de desenvolvimento deles são muito semelhantes ao nossos. Podemos aprender com a experiência deles para impulsionar os nossos parques tecnológicos, além de estreitar as relações bilaterais”.

Dados do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações mostram que desde 1984, quando entrou em vigor o primeiro acordo sino-brasileiro em CT&I, os dois países já firmaram 53 atos internacionais na área de P&D.

Modelo chinês

O modelo de sucesso para os parques tecnológicos passa por quatro pilares: localização, área de atuação, recursos financeiros e equipe de profissionais. No quesito serviços oferecidos aos empreendimentos instalados nos ambientes de inovação, Cheng destaca o papel das universidades. “A China tem 552 universidades, que detém 5.279 holdings [empresas subsidiárias]. São elas que oferecem serviços qualificados, que vão desde assessoria jurídica a recursos humanos. Essas equipe estudam a demanda dos empresários para atendê-los”, explica o gestor do Tuspark, que têm mais de 1 mil empresas, que empregam 35 mil pessoas.

Os recursos do Tuspark, que é vinculado à Tsinghua University, são compartilhados. A divisão é feita da seguinte maneira: 45% deles são provenientes da holding da instituição de ensino superior, 30% do setor privado, 20% da universidade e 5% de outras fontes. “Parece simples, mas o efeito do recurso chegado ao poucos, conforme o planejado é muito maior que um grande volume de recursos chegando de uma só vez”, afirmou Jorge Audy, presidente da Anprotec.

O modelo vencedor atraiu a atenção de outros governos asiáticos. Parques tecnológicos inspirados no Tuspark já estão em implantação na Tailândia e no Paquistão. Chen vislumbra que o futuro dos parques tecnológicos chineses seja cada vez mais no ambiente digital. “Com isso poderemos ampliar o nosso foco de atuação. As empresas brasileiras, por exemplo,  poderão receber recursos e informações dos parques tecnológicos chineses”, avalia Cheng.

(Felipe Linhares, da Agência Gestão CT&I)

Especial: 26ª Conferência Anprotec

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