Nova diretoria da ABIPTI vai trabalhar para sanar desafios do setor

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Representantes de ICTs estudam formas para aumentar recursos em P&D - Foto: Divulgação/InternetRepresentantes de ICTs estudam formas para aumentar recursos em P&D - Foto: Divulgação/InternetRedução de investimentos em inovação e dificuldades na prospecção de recursos para pesquisa e desenvolvimento (P&D) estão entre os principais problemas apontados por representantes de institutos de ciência e tecnologia (ICTs) do país. As diferentes entidades que compõe o Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCTI) sofrem com medidas do governo para tentar conter a crise econômica vivida pelo Brasil, como a retirada dos benefícios previstos na Lei do Bem (n° 11.196/05), além da escassez de editais de fomento não reembolsáveis para inovação.

Uma das formas para reverter estas dificuldades junto ao governo, e ao mesmo tempo aproximar as diferentes ICTs do país para unir esforços, é com o auxilio de entidades representativas como a Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação (ABIPTI). A nova diretoria da entidade tomou posse na última semana e tem como objetivo central propor caminhos para superar os desafios do setor.

Na avaliação de  Luiz Fernando Vianna, eleito vice-presidente da ABIPTI pela região Sul e presidente do Instituto Lactec, uma das metas mais importantes da associação é a recomposição dos fundos que são direcionados para pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I).

“Acho que um dos papéis da ABIPTI, sendo uma associação que tem representatividade nacional através dos seus vice-presidentes, é  justamente lutar pela recomposição dos fundos de fomento não reembolsáveis para a inovação. Entendo que estamos em um momento de crise, mas quando se investe em inovação, se colhe frutos para um futuro próximo”, afirmou Vianna.

Uma das saídas para conseguir novos recursos durante a recessão, segundo o vice-presidente da região Centro-Oeste da ABIPTI e executivo de Desenvolvimento de Negócios e Relações Institucionais do Eldorado, Paulo Ivo, seria o setor de CT&I pleitear uma porcentagem da verba devolvida ao governo, como resultado das operações no país de combate à corrupção.

“É uma linha que nós temos que buscar agora, para que parte disso, além de voltar para o governo, seja investida em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Não só isso, como também o dinheiro do FNDCT [Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico] parado sem aplicação, de projetos da Finep e do MCTIC, para que sejam realmente redirecionados para CT&I”, pontuou.

Outra iniciativa planejada pela ABIPTI é unir esforços com a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), para promover uma união do setor produtivo com as ICTs em projetos que deverão ocorrer ao longo deste ano, no escopo da Lei de Informática, desenvolvidos dentro de empresas dessa área, mas que tem apoio dos institutos de pesquisa. “A ideia é que as empresas a serem escolhidas nos certames possam investir em P&D junto às ICTs. É uma maneira de buscar mais fomento para o mercado que hoje sofre grande dificuldade”, disse Paulo Ivo.

Mais associados

Nova diretoria da ABIPTI definiu estratégias para alcançar metas - Foto: Portal TecparNova diretoria da ABIPTI definiu estratégias para alcançar metas - Foto: Portal Tecpar

Na visão do diretor-presidente do Instituto Tecnológico e de Pesquisas do Estado de Sergipe (ITPS) e vice-presidente da região Nordeste, Léo Araújo, é necessário que mais instituições sejam integradas à associação. Com isso, seu peso e representatividade contribuiriam mais para aproximar o governo e o Congresso das demandas do setor. Entre os cotados para ingressar na ABIPTI, Araújo sugeriu o recém inaugurado Parque Tecnológico de Sergipe.

“O compromisso nosso é trazer ele para dentro da ABIPTI como associado, como as demais entidades do estado, tanto público como privado, para que possa engrandecer ainda mais a associação. Com todos juntos, há uma chance muito maior de trabalhar para trazer mais incentivos e recursos para área de ciência e tecnologia.”

Para Josias de Souza, vice-presidente da região Sudeste e gerente de negócios da Flextronics Instituto de Tecnologia (FIT), além de novos associados, é necessário aproximá-los em torno de seus problemas e pensar em soluções de forma conjunta. “A ABIPTI reúne instituições renomadas que podem ter a chave para solucionar problemas em várias regiões e levar uma agenda positiva no sentido de investir em inovação. É importante pensar em conjunto e em ações mais abrangentes”, ponderou.

Apoio

De acordo com o vice-presidente da região Norte e presidente da Tap4 Informática Ltda, André Tapajós, uma das maiores dificuldades para a CT&I em sua região tem sido a burocracia. Para eles, as regras impostas pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) tem sido prejudiciais às instituições locais que desenvolvem P&D.

“Há uma série de interpretações e exigências que vem dificultando o nosso trabalho. Em vez de focar na qualidade da inovação, a gente está perdendo tempo com papel, comprovante, pura burocracia, que não ajuda em nada o processo de inovação e expõe o no hall dos desenvolvedores das tecnologias.”

Tapajós acredita que com o apoio da ABIPTI, será possível dar mais peso político na busca por políticas públicas de sucesso de outro estado para adotar na região Norte. “A ABIPTI é uma entidade muito forte. Os canais que ela têm abrem portas e facilitam o trabalho. Por exemplo, se o presidente se dispuser a ir lá, o peso representativo dele é muito maior, mais forte, porque levará o peso de 152 instituições. Os argumentos serão ouvidos de outra forma”, comentou.

O eleito para exercer o cargo de presidente da associação foi Júlio Cesar Felix, diretor-presidente do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). O dirigente, que já comandou a entidade entre 1995 e 1999, defendeu nesse novo mandato mudanças no modelo de negócios de ICTs.

(Leandro Cipriano, da Agência Gestão CT&I)

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