Presidente da Anprotec acredita que parques tecnológicos devem andar com as próprias pernas para superar gargalos

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É fundamental dizer que nós precisamos – e continuamos precisando – de políticas de Estado para fortalecimento dos ambientes de inovação", afirma presidente da Anprotec - Foto: AnprotecÉ fundamental dizer que nós precisamos – e continuamos precisando – de políticas de Estado para fortalecimento dos ambientes de inovação", afirma presidente da Anprotec - Foto: Anprotec

Durante a primeira semana de setembro, o empreendedorismo inovador foi amplamente debatido durante o 24 Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas, promovido pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec). Um dos desafios do Brasil é transformar as novas iniciativas em empreendimentos que se sutentem por si próprios, sem a necessidade de sempre recorrer ao financiamento público, de acordo com a presidente da entidade, Francilene Garcia. Nesta entrevista, a dirigente fala também sobre parcerias internacionais e os gargalos enfrentados pelo setor de ciência, tecnologia e inovação (CT&I) no Brasil.

Por que fazer o evento na Região Norte do Brasil?

Essa 24ª edição do nosso seminário tem algumas surpresas muito boas. Foi um retorno à Região Norte. Nós tivemos um evento aqui há 14 anos, então é sempre importante, dentro do espírito de desenvolvimento do empreendedorismo inovador no Brasil de você ter uma certa mobilidade dentro de todas as regiões do País. Voltar à Região Norte, no momento em que se organizou recentemente um plano regional de ciência, tecnologia e inovação [PCTI/Amazônia], onde as plataformas de parques tecnológicos e incubadoras foi uma temática muito valorizada e discutida, é bastante oportuno. E, sobretudo, considerando a temática desse evento, que é exatamente uma conexão para novos resultados dentro desses ambientes de inovação. São  vários desafios e provocações que nós tentamos trazer, tanto nos eventos e pré-eventos, como no próprio seminário.

As parcerias internacionais foram um dos destaques da semana em Belém. Como foi avaliada a integração com atores internacionais?

Destaco a presença de uma parceria com a União Europeia por meio do fórum B.BICE +, onde tínhamos aqui 13 países representados, discutindo mecanismos e formas de ajustes e melhorias naquilo que é a cooperação bilateral entre o Brasil e outros países no que diz respeito à transferência de conhecimento, à própria cooperação entre empresas e esses ambientes de inovação. Então, isso demonstra não só o interesse desses países pela realidade que está acontecendo no Brasil, mas também a importância do Brasil se organizar melhor para esse tipo de cooperação

Em que patamar está o ambiente de parques tecnológicos no País atualmente?

No workshop de parques tecnológicos foi extremamente oportuno ver o quanto os nossos ambientes estão amadurecendo, não só dependendo do fomento público, mas também buscando as alternativas de recursos privados. Ainda ressalto a profusão de novas iniciativas de parques tecnológicos que estão em projeto no Brasil. Isso é importante discutir, organizar, alinhar, para que possamos apoiar cada vez melhor essas realidades em cada lugar do Brasil.

Quais mecanismos são possíveis de serem implementados para fomentar os ambientes de inovação no Brasil?

É fundamental dizer que nós precisamos – e continuamos precisando – de políticas de Estado para fortalecimento dos ambientes de inovação. Cada ambiente, precisa se estruturar  a partir de uma realidade local. Ou seja, é necessário entender as competências existentes em uma região, numa determinada localidade, de que maneira elas podem impactar no desenvolvimento setorial regional. Isso tem muito a ver em alinhar com demandas, sejam elas locais, regionais ou nacionais. O que eu destaquei em relação ao PCTI/Amazônia, é que o pensar coletivo e conjunto, regionalmente falando, ajudou os estados da Região Norte a desvendarem que vocações são essas como elas possibilitam, coletivamente, ajudar na direção de atender uma demanda que a realidade amazônica tem.

Em função da escassez de recursos públicos, existe a necessidade de se eleger prioridades. E se elas forem eleitas em um fórum coletivo e regional, dá mais razão ainda para serem bem sucedidas. Esse pensar regional é fundamental na construção desses novos ambientes, sim. Mas não pode estar deslocado das políticas nacionais”

Qual a maior dificuldade para transformar essas iniciativas empreendedoras em iniciativas ativas?

Das cem iniciativas que foram catalogadas no estudo concluído em 2013 pelo MCTI, a grande dificuldade e o grande desafio é colocar quase 65 em iniciativas em operação. Várias dessas iniciativas estão em estágio de projeto ou de implantação. Nosso grande desafio para os próximos cinco anos é que passem a operar, se tornem ambientes com um complexo de empresas diferenciadas instaladas, centros de P&D, um conjunto de ações e mecanismos que fortaleçam, dentro daquela ideia de atender às demandas, esse impacto sendo gerado. Não estamos falando  só de criar um contingente grande de postos de trabalho qualificados, aproveitando toda uma mão de obra de alto nível qualificada dentro desses ecossistemas. Queremos, particularmente, gerar empreendimentos que alarguem essas fronteiras do desenvolvimento sustentável no País, a partir de cada região. Por isso, é fundamental que elas saiam do papel ou das estruturas iniciais implantadas para uma operação mais pujante, mais dinâmica.

Qual a expectativa para o ano que vem?

Ano que vem faremos nosso evento na Região Centro-Oeste, em Cuiabá (MT). E há uma expectativa muito grande que nessa etapa prévia de organização do próximo seminário o estado de Mato Grosso possa avançar e acelerar seu projeto de parque tecnológico. Ali, nós temos uma fronteira agroindustrial fundamental para o País, um dos maiores celeiros de produção de grãos e carne, mas precisamos trabalhar com empreendimentos que agreguem valor, apliquem conhecimento e amplifiquem o impacto que essa produtividade, que esse celeiro possa trazer para o Brasil e para aquela região em particular”

(Vicente Melo, da Agência Gestão CT&I)

Especial: 26ª Conferência Anprotec

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