Presidente da Fapemig destaca papel da instituição na criação do ambiente de inovação de Minas Gerais

Seção Entrevista - Entrevistas

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) definiu suas prioridades para 2014. Com o orçamento estimado em R$ 350 milhões, a instituição pretende concluir sua nova sede, consolidar a estrutura organizacional, aumentar o número de cooperações internacionais e fortalecer a atuação na inovação.

Em entrevista exclusiva à Agência Gestão CT&I, o presidente da Fapemig, professor Mario Neto Borges, além de falar sobre as principais metas para este ano, faz um avaliação sobre o ambiente de pesquisa e desenvolvimento em Minas Gerais e revela quais serão os principais tópicos do planejamento estratégico da instituição para os próximos cinco anos.

Mario Neto Borges, presidente da Fapemig. Foto: Divulgação/ConfapMario Neto Borges, presidente da Fapemig. Foto: Divulgação/ConfapQual é orçamento da Fapemig para 2014 e em que será utilizado?

Para 2014, o orçamento é estimado em R$ 350 milhões. A eles serão somados outros recursos de captação nacional, internacional e de empresas que poderão totalizar meio bilhão de reais. Os recursos são aportados em modalidades tradicionais como as bolsas, que vão da iniciação científica júnior ao pós-doutorado, projetos de pesquisa em atendimentos aos editais universais, projetos denominados induzidos que são temas de interesse do estado, apoio a eventos e publicações científicas, projetos estruturadores de CT&I do governo de Minas e nas parcerias com Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior], CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico] e Finep [Financiadora de Estudos e Projetos] no âmbito das agências federais, parcerias internacionais, hoje com 11 países dos diversos continentes, e com as empresas dentro da metodologia da Hélice Tríplice com o Sistema Mineiro de Inovação [SIMI].

As principais metas da Fapemig em 2014 podem ser resumidas em quatro eixos: conclusão da nova sede da fundação; consolidação da estrutura organizacional; ampliação da internacionalização; e forte atuação na inovação.

A Fapemig lançou vários editais somente nos primeiros dias de 2014. Eles abarcam diversos temas e financiamentos de pesquisa. Quais são as expectativas da entidade em relação às chamadas?

O lançamento de pacotes de editais nos primeiros dias de cada ano já é uma tradição na Fapemig. Até agora foram dez editais e, antes do fim do mês, lançaremos mais cinco. Isso é positivo para os pesquisadores, pois possibilita avaliar as opções disponíveis e concorrer naquelas mais adequadas ao seu perfil ou projeto. A fundação também se beneficia com um melhor planejamento e mais dinamismo na análise e contratação das propostas.

Nossa expectativa, assim, é que a comunidade científica mineira encaminhe seus projetos e concorra aos editais que, no conjunto, beneficiam todas as áreas do conhecimento. Esperamos que as propostas sejam interessantes e inovadoras, beneficiando a ciência, tecnologia e inovação como um todo.

Na sua opinião, como está o cenário da pesquisa, desenvolvimento e inovação em Minas Gerais? Qual foi o papel da Fapemig na construção deste ambiente?

O cenário é positivo. É importante ressaltar a decisão do governo estadual que, desde 2007, repassa o orçamento integral da Fapemig, estabelecido na constituição de Minas. Com este aporte contínuo, e contando com a parceria e os esforços das instituições científicas mineiras, conseguimos ampliar e fortalecer o cenário da CT&I no estado, que hoje conta com pesquisadores competentes, grupos de pesquisa de excelência e programas de pós-graduação de nível internacional.

Uma prova é o resultado da recente avaliação trienal da Capes dos cursos de pós-graduação. De 2007 a 2013, intervalo de duas avaliações trienais, Minas saltou de 17 cursos com conceito 6 para 36 cursos, um crescimento de 112%. E de 7 cursos conceito 7, que equivale a padrão internacional, para um total de 17 – crescimento de 283%.

É também importante mencionar que estes cursos, antes existentes apenas nas universidades federais de Minas Gerais e Viçosa, hoje se espalham pelo interior em polos que possuem instituições federais como Lavras, Uberlândia e Itajubá. Uma ação decisiva para esse sucesso foi o Programa de Apoio a Cursos Cinco, Seis e Sete (PACCSS), iniciativa da Fapemig em parceria com a Capes. A experiência inovadora tem como foco a excelência na pós-graduação e a aceleração do processo de formação de doutores e pesquisadores.

Em suma: já registramos importantes conquistas e estamos trabalhando para desenvolver ainda mais a área de CT&I no estado. Eu digo que o ambiente é promissor e que a Fapemig tem um papel central em sua construção.

Como você avalia 2013, ano em que findou o planejamento estratégico da Fapemig (2008-2013)? Todas as metas foram alcançadas?

O planejamento estratégico é uma importante ferramenta que orienta as ações e as políticas da Fapemig. Podemos dizer que nosso esforço foi concentrado nos direcionamentos propostos e que, a partir disso, vários programas e projetos foram implementados. Por exemplo, tínhamos como objetivo estratégico incentivar a participação de empresas no fomento à CT&I e isso foi feito por meio de editais conjuntos lançados ao longo desses anos, que corresponderam a investimentos significativos para projetos de pesquisa em áreas estratégicas. Mas esse é um trabalho contínuo, que não termina em cinco anos.

Como será realizado o planejamento para os próximos cinco anos?

Ao longo de 2013, a Fapemig se mobilizou para uma revisão de seu planejamento estratégico, que agora deve levar em consideração um novo período de cinco anos (2013-2018). Essa revisão levou em consideração as propostas do governo para a área de CT&I e, também, a experiência de nossa equipe, que foi chamada a contribuir com sua experiência e visão. Como resultado, temos um novo mapa estratégico, que nos fornecerá diretrizes para o trabalho. Esse mapa será apresentado a toda a equipe ainda em janeiro de 2014. Mas posso adiantar que entre nossos grandes objetivos estão incentivar o diálogo entre governo-academia-empresa, contribuindo para o desenvolvimento do estado, e incentivar áreas do conhecimento em que Minas se destaca pelas pesquisas e grupos de excelência.