SNCT comemora 10 anos com saldo positivo para pasta de CT&I

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Nos dias que antecedem a 10ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) – evento que ocorre simultaneamente em todas as regiões do País entre os dias 21 e 27 de outubro, e em Brasília (DF), no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade - a reportagem da Agência Gestão CT&I entrevistou o secretário-executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luiz Antonio Elias, sobre a expectativa da feira e o futuro da agenda de CT&I no País com a perda de recursos do fundo social do CT-Petro.

 

Luiz Antonio Elias, secretário-executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Crédito: Silmara Ciuffa/AnpeiLuiz Antonio Elias, secretário-executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Crédito: Silmara Ciuffa/AnpeiQual a expectativa do MCTI em relação à Semana Nacional de Ciência e Tecnologia deste ano?

Porque organizar uma semana de ciência e tecnologia no Brasil? Essa é a grande pergunta. O que isso pode representar após 10 anos de um esforço muito grande, não só nessa atividade junto com a sociedade, mas no geral, voltadas para divulgar, disseminar e ampliar a capacidade da ciência no Brasil. É um salto muito grande, um movimento enorme de tornar a ciência uma realidade que pudesse cumprir um papel essencial para qualquer etapa de crescimento do País, que é  diminuir a dificuldade e assimetria internas e ampliar a capacidade de conhecimento de uma sociedade.

A expectativa de futuro é muito grande, nesse momento em que a SNCT comemora 10 anos. Vamos ter 28 mil atividades quando, no início, era um décimo disso. São 700 municípios envolvidos com 900 instituições parceiras. E, tratando de uma temática que é central, a saúde. E outra nova realidade é encarar o esporte como um elemento agregador. É muito importante realizar esse movimento para disseminar, ampliar a capacidade de poder da sociedade, e, o que isso pode representar em termos de melhoria para sociedade.

Em 2013 a programação da SNCT apresentará alguma novidade?

Sempre temos novidades. Os estandes são mais modernos, a disseminação da informação foi ampliada e a realidade virtual é cada vez mais forte. E, o mais importante: o vertiginoso crescimento da participação das pessoas, cada vez mais forte, mais efetivo. Em suma, é um evento que cada vez mais agrega pessoas, alunos e qualidade. Esse ano nós inovamos. Teremos atletas que vão disseminar o que a ciência traz para a melhoria de seu desempenho enquanto competidor.

O que faz a ciência, não só em termos de sua saúde, garantindo uma proatividade para responder os desafios que ele enfrenta e, como os instrumentos esportivos que cada vez mais se sofisticam. A ideia é que a gente dissemine cada vez mais essas atividades, mostrando que a realidade da saúde é fator decisivo para o rendimento daquele atleta. E, com a utilização de instrumentos com maior capacidade, que melhorem sua produtividade e adquiram maior performance. Assim teremos mais qualidade no esporte brasileiro, garantindo para o Brasil uma presença mais positiva nas olimpíadas.

Quanto foi investido na SNCT 2013?

É difícil mensurar quanto foi investido. Todos os estados da federação e 700 municípios estão investindo recursos, junto a 900 instituições parceiras. Posso garantir que é um valor alto. Só o Ministério dos Esportes investiu R$ 1,8 milhão. O MCTI mais de R$ 5 milhões, em parceria com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciência (ABC), além de outras entidades. O Ministério da Saúde está colocando um volume bastante razoável de recursos para operação da SNCT. É um valor crescente. Isso é uma afirmação dessa agenda. A agenda de CT&I é central para um processo de crescimento.

Nesses 10 anos, a ciência, tecnologia e inovação vêm crescendo gradualmente. Pode se observar isso na quantidade da produção científica e no número de mestres e doutores que são formados anualmente.  Há uma certa preocupação quanto ao futuro do MCTI, que  acabou de perder os recursos do CT-Petro e existem especulações que o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) também será direcionado para o Ministério da Educação (MEC). Isso pode tolher a evolução que a área vem conquistando no Brasil?

Essa pergunta me ajuda a esclarecer alguns fatos. Às vezes porque estão truncados ou não completamente dimensionados. A questão do CT-Petro foi uma decisão do Congresso Nacional, que resolveu investir em duas outras agendas, que também são importantes -  educação e saúde. Ao se decidir e tomar esse rumo, a presidenta Dilma Rousseff fez um pronunciamento muito importante em que ela queria inicialmente o valor global em educação, mas já que o congresso também quis incluir a saúde, a pasta acabou deliberando em 75% dos recursos para educação e 25% para saúde.

Os países europeus e os Estados Unidos colocam como tema de diferença para as vertentes que os ajudaram a sair da crise, não só a questão cambial, como sua solução interna monetária, a educação. Sem elas, eles não terão capacidade de responder ao processo maior.  Aqui também é assim. A presidenta está certa em agir dessa maneira. Na verdade nós não perdemos o CT-Petro. O governo federal não é hoje um governo estanque. A ciência não está isolada da educação e da saúde. Tem ciência na educação e na saúde.

Os ministros da Educação e da Saúde estão acompanhando a questão laboratorial, que  é central para que a gente avance nessa capacidade de conhecimento. O Ministério da Educação se movimenta para apoiar os projetos  que o ministério tem na questão laboratorial, de pesquisa científica. Assim como o ministério da saúde, especialmente na parte de testes químicos e pré-quimicos.

Por outro lado a presidenta Dilma confirmou a agenda de C&T. Ela manteve o orçamento para 2014, independente da saída do CT-Petro. Portanto, não perderemos, não teremos diminuição da capacidade de investimentos em 2014. Ela garantiu outra fonte de arrecadação orçamentária pública federal, garantindo recursos necessários para mantermos o mesmo patamar de investimentos.

No Congresso correm boatos de que, numa reforma ministerial, o MCTI viraria um apêndice do MEC. Isso é verdade?

Nunca ouvi. São boatos que ocorrem sempre neste período pré-eleitoral, em razão de alguma posição política. Em concreto, nunca me chegou essa informação pela sociedade cientifica. No dia 16 de outubro mesmo tivemos uma reunião do conselho diretor do FNDCT, que congrega todas as instituições científicas do Brasil e empresarias. Em nenhum momento, nas quatro horas juntos, onde estávamos decidindo o orçamento de 2014, não houve nenhum questionamento a esse respeito. Eu desconheço.

O que o senhor acha da articulação da ABIPTI em prol de melhorias do Sistema Nacional de CT&I?

A ABIPTI é uma grande parceira, tanto que a temos como uma entidade associada para implementar projetos. A preocupação da presidenta, Isa Assef, é importante. Ela realiza um belíssimo trabalho. A estrutura de novos programas e os avanços nas proposições, são bem qualificadas. Essa articulação nos ajuda a disseminar a estratégia nacional de C&T como uma agenda para o País.