ABDI faz estudo para identificar tecnologias relevantes para a competitividade da indústria

Seção Entrevista - Entrevistas

Diretora da ABDI afirma que estudo fomentará políticas públicas. Foto: Eduardo Cunha/ABDIHá cerca de um ano, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) iniciou um esforço para identificar tecnologias em desenvolvimento que podem dar mais competitividade à indústria brasileira num horizonte de 15 a 20 anos. Seis setores estão sendo pesquisados. Desses, um já está com o estudo finalizado, quatro em conclusão e outro, na fase inicial.

A diretora da ABDI, Maria Luisa Campos Leal, em entrevista exclusiva à Agência Gestão CT&I detalhou como funciona o projeto e explicou quais as metas a serem atingidas. De acordo com ela, as informações poderão ser usadas para atrair investidores e fomentar políticas públicas.

Quais são as áreas em que estão sendo mapeadas as tecnologias e como elas foram definidas?

Fizemos as buscas nos setores de petróleo e gás, automotivo e defesa. Também estão sendo mapeadas tecnologias nos segmentos de tecnologias da informação e comunicação (TICs), em química renovável, em bens de automação e energias renováveis, e complexo industrial saúde.

A ABDI é a secretaria técnica da política industrial. As áreas foram definidas de acordo com áreas prioritárias estabelecidas na Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) e do Plano Brasil Maior (PBM).

Qual o objetivo desses estudos?

A ideia é identificar as tecnologias existentes no país que sejam viáveis do ponto de vista científico, que tenham viabilidade comercial identificada e com potencial de difusão tecnológica elevada. Queremos saber quais tecnologias são viáveis no ponto de vista científico para os próximos 15 ou 20 anos.

Estamos identificando além da viabilidade comercial e difusão tecnológica, a estrutura e competência tecnologia do País para o desenvolvimento dessas tecnologias. Quando temos estrutura e competência dizemos que essas tecnologias são relevantes ou prioritárias.

Aquelas áreas que a gente identifica que terá uma difusão elevada no País e que não temos estrutura ou competência tecnológica são consideradas críticas. Nesses casos precisaremos fazer um esforço para atrair investimentos ou até mesmo importar.

Nessas áreas e segmentos selecionados pela ABDI, vocês delimitam tecnologias específicas a serem estudadas?

Sim. Na área de TICs, por exemplo, o estudo avaliou as tecnologias para o desenvolvimento de displays. Nesses segmentos percebemos que durante algum tempo o Brasil terá que importar produtos. Nos setores de já percebemos que isso é muito comum na área de TICs.

Em que pé estão os estudos?

O de petróleo e gás já foi finalizado. Temos outros quatro em fase de conclusão que são os do setor automotivo, da área de defesa, de TICs, de química renovável, de bens de automação e energias renováveis. Estamos começando o do Complexo Industrial da Saúde.

Qual a metodologia aplicada nesse levantamento de tecnologias e qual o prazo para concluir o estudo?

Na área do Complexo Industrial da Saúde identificamos seis agendas: biofármacos com foco em monoclonais; nanotecnologias, ortoxes e protoses; equipamentos para diagnóstico de imagens e in vitro no local; medicina regenerativa e terapia celular e gênica; e telemedicina. Devemos terminar o estudo dessa área entre oito meses e um ano.

Essas agendas foram identificadas em parcerias com o Ministério da Saúde com o objetivo de avançar no domínio tecnológico. Vamos chamar atores para contribuir na identificação de tecnologias, modelos de negócios e formas para avançar com esses desafios.

Muitas dessas tecnologias são de fronteira e em áreas com muita dificuldade de acompanhamento. Todos os nossos esforços são para a universalização de acesso público. Como são tecnologias que ainda não dominamos, elas pesam muito no custo público e é isso que queremos solucionar.

Como o governo poderá trabalhar com esses dados em mãos?

Esse projeto vai identificar o que precisamos ir atrás para atrair centros de P&D e investimentos. Com um banco de informações temos como fazer negociações. Além disso, os dados podem ser usados para fomentar políticas públicas. A ideia é fazermos gestão com inteligência tecnológica.