Entrevista – Marcos Campos, diretor executivo do Instituto de Ciência e Tecnologia AparecidaTEC

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“A ABIPTI contribuirá para que o ICT AparecidaTEC atinja um grau de excelência”, assinala Marcos Campos, diretor executivo do instituto. Foto: Bruno Spada/ Tripé Fotografia“A ABIPTI contribuirá para que o ICT AparecidaTEC atinja um grau de excelência”, assinala Marcos Campos, diretor executivo do instituto. Foto: Bruno Spada/ Tripé FotografiaEm agosto deste ano, Goiás recebeu um grande reforço para alavancar a inovação no Estado com a criação do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT) AparecidaTEC, no município de Aparecida de Goiânia (www.aparecidatec.com.br). O instituto é o quarto em Goiás, mas o primeiro criado em formato jurídico misto – público e privado – com atendimento a empresas e governo.

Em entrevista exclusiva para a Agência Gestão CT&I de Notícias, o diretor executivo do instituto, Marcos Campos, afirma que a meta da instituição é apoiar empresas interessadas em desenvolver projetos inovadores com vistas à aproximação do setor produtivo das universidades.

Para atingir este objetivo, pontua Campos, o ICT contará com o apoio da ABIPTI na busca de um intercâmbio com outras entidades de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Para ele, associar-se à instituição contribuirá para que o instituto atinja um alto grau de excelência e contribua verdadeiramente para o crescimento científico e tecnológico do Estado.

Acompanhe a entrevista.

Qual a estrutura do instituto e que ações estão previstas para este ano?

Nós realizaremos atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) por meio do estímulo ao intercâmbio com instituições de ensino e auxiliando o empresariado de Goiás na obtenção de recursos que possam viabilizar os seus negócios.

Em agosto, iniciamos a parceria com o Núcleo de Inovação de Goiás (NIT), uma ação da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) de incentivo às empresas a adotarem a inovação em sua gestão, produtos, serviços e processos.

Ao finalizar a ata de criação do instituto daremos início aos convênios com o governo federal e, ainda, fomentaremos um curso de pós-graduação para a formação de agentes de inovação em parceria com a ABIPTI e uma universidade.

Contamos com uma equipe de 15 colaboradores e 10 conselheiros, todos representantes de grandes atores do setor no Estado, como a Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado de Goiás (Sectec), a Fieg, o Sebrae, entre outros.

 

Por que a escolha pelo formato jurídico misto no ICT AparecidaTEC?

Avaliamos como a melhor opção, tanto para atender o governo quanto às empresas e também porque os institutos privados possuem limitações. Durante o Congresso ABIPTI 2012 fiquei entusiasmado com o case do Instituto Fraunhofer, na Alemanha, que trabalha dessa forma e tem maior abrangência de articulação com esses dois públicos.

 

Quais os principais desafios para o setor atualmente?

A cultura empresarial ainda não deu a devida importância para a inovação, além da carência de mão de obra qualificada nesta área. Há demandas e oportunidades no mercado, mas precisamos preparar os pesquisadores para que sejam mais empreendedores, assim como preparar os empresários, que devem valorizar mais o meio acadêmico.

Hoje o ICT é um braço de todos os programas de inovação no Estado e nossa expectativa é incentivar a participação das universidades junto aos empresários e ampliar a atuação por meio dos institutos para que sejam conectores de negócios.

 

Qual a sua expectativa com a filiação à  ABIPTI?

Apesar do instituto já ter nascido forte, reconhecemos a complexidade dessas entidades. Por isso, queremos promover o intercâmbio com outros institutos, formar parcerias e, para isso, contamos com o apoio e força da ABIPTI no cenário nacional.

O mesmo aprendizado que tivemos com a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), que nos propiciou a criação de uma incubadora e um parque tecnológico com grande potencial nos próximos três anos, também teremos com a ABIPTI em relação ao ICT.

A associação é fundamental para que qualquer instituto hoje atinja um grau de excelência e que esteja de acordo com as demandas atuais do mercado e dentro do conceito mais moderno de ICT. Queremos ser também um braço da ABIPTI, dar um salto de qualidade na inovação e inserir cada vez mais o Estado de Goiás no cenário nacional de ciência, tecnologia e inovação.

 

Fale um pouco sobre a sua experiência em pesquisa e desenvolvimento.

Sou formado em administração e contabilidade e tive a primeira oportunidade de trabalhar com P&D em uma empresa junior. Eu fui diretor da Associação Comercial de Aparecida de Goiânia (Aciag) e posteriormente presidente da Aciag  Jovem. Lá,  criamos o Fórum Empresarial Jovem de Goiás.

Em 2009, fui convidado para trabalhar como titular da Secretaria de Indústria, Comércio, Trabalho e Tecnologia de Aparecida de Goiânia (SIC-TT), onde fiquei mais de três anos. Em maio deste ano saímos de lá e criamos o instituto para dar continuidade aos projetos iniciados na SIC.

O intuito da secretaria é inserir o município na cultura de inovação com a atração de investimentos de empresas nacionais e internacionais. O Polo Tecnológico AparecidaTEC é um exemplo de ação de política de C&T  que visa estimular a qualificação de mão de obra e com infraestrutura para a criação de empresas inovadoras e a elaboração de atividades de P&D.

Outro projeto é a Incubadora 3D, que nasceu da parceria entre a administração municipal de Aparecida de Goiânia, empresas e instituições de ensino criada para executar projetos que estimulem a inovação e o empreendedorismo na região.