Novo vice-presidente da ABIPTI pelo Norte aponta desafios para a região

Seção Entrevista - Entrevistas

Vice-presidente da ABIPTI pela região Norte, Luiz Augusto Azevedo.Vice-presidente da ABIPTI pela região Norte, Luiz Augusto Azevedo.No dia 12 de junho, o diretor-presidente da Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac), Luiz Augusto Azevedo, foi eleito vice-presidente da ABIPTI pela região Norte para o biênio 2012/2014. O pleito foi realizado em Brasília (DF), durante a 31ª Assembleia Geral Ordinária, na sede da instituição. Os associados puderam votar de forma presencial e online.

Engenheiro florestal pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), com mestrado em gestão ambiental e desenvolvimento sustentável pela Universidade de Brasília (UnB), Azevedo também é professor de engenharia florestal da Universidade Federal do Acre (Ufac).

Ele iniciou o seu trabalho no Acre pelo Instituto do Meio Ambiente do Estado (Imac) na coordenação de Unidades de Conservação. Em 1991, ingressou no Centro dos Trabalhadores da Amazônia (CTA), para atuar com projetos de desenvolvimento para comunidades tradicionais de reservas extrativistas.

Para o novo vice-presidente pela região Norte, há muito o que fazer para diminuir as distâncias regionais, tais como a ampliação do número de mestres e doutores e a aproximação das empresas com as instituições de pesquisa. Acompanhe a entrevista.

 

Na sua opinião, quais são os avanços e necessidades em ciência, tecnologia e inovação da região Norte?

Os avanços dizem respeito à especialização que as instituições de CT&I da região obtiveram ao longo do tempo nos temas que são estratégicos, com destaque para as melhores formas de utilização dos recursos naturais e, também, da valorização do conhecimento tradicional. São muitos os desafios do Norte para um desenvolvimento que respeite as características culturais, ambientais, diminuindo as distâncias geográficas e estruturais que existem em relação às outras regiões, tais como recursos financeiros, número de mestres e doutores, aproximação de empresas e instituições de pesquisa para a geração de inovações, aumento da competitividade e agregação de valor aos produtos.

Qual a importância das entidades de pesquisa, desenvolvimento e inovação para o país e para a região Norte?

Qualquer país que busque um desenvolvimento em bases sustentáveis, que queira diminuir as desigualdades regionais e uma maior inclusão social não pode prescindir de investimento em CT&I, qualificação de pessoal, observar as necessidades da sociedade para melhorar a vida das pessoas e aumentar o investimento privado em pesquisa aplicada. As instituições de pesquisa têm feito um esforço gigantesco para alcançar esse objetivo e o governo federal tem correspondido, mas ainda há muito o que fazer para diminuir as distâncias regionais.

Quais as suas metas como vice-presidente da ABIPTI pela região Norte para o biênio 2012/2014?

Acho que do ponto de vista estratégico a diminuição das distâncias regionais e o reconhecimento das políticas de CT&I das nossas diferenças são temas chave para a região Norte. A Amazônia não pode ser só um laboratório em que todos se apropriem. O conhecimento deve ser gerado a partir da região e não podemos ser apenas coadjuvantes, mas os principais atores. E isso passa obrigatoriamente pelo reconhecimento das diferenças nas políticas públicas.

E qual a importância da ABIPTI para o setor e para as entidades de pesquisa?

Como os desafios são enormes, somente com a união de esforços poderemos enfrentá-los. A ABIPTI deve ser a voz que ecoa das diversas regiões indicando os melhores caminhos a serem seguidos por uma política de CT&I, que considere e respeite as diferenças e a diversidade regional e busque diminuir a desigualdade entre as regiões. A capacitação é um desafio extremamente importante.

Qual a  importância da Funtac para o Acre?

A Funtac tem realizado pesquisas nas áreas de materiais alternativos de construção e habitação popular, além de importantes trabalhos na área florestal e de biodiversidade, com valorização do uso dos recursos disponíveis locais. A fundação, por meio do seu corpo técnico e sua estrutura laboratorial, desenvolve ações e programas que possibilitam um maior dinamismo às ações de governo federal, de forma que as tecnologias desenvolvidas e seus resultados cheguem ao meio produtivo. Neste sentido, realiza esforços na criação de competências multiplicadoras para que as tecnologias geradas sejam incorporadas aos sistemas de produção praticados no Estado.