Brasil e o VI Foro Mundial de Ciências, artigo de Sérgio Eduardo Moreira Lima

Análise de Especialistas - Opinião

Sérgio Eduardo Moreira Lima é embaixador do Brasil na Hungria. Artigo publicado no Correio Braziliense de 18 de maio de 2012.

Brasil e Hungria possuem legado de cooperação durante as décadas de 60, 70 e 80 do século passado, quando peritos húngaros participaram de projetos nas áreas de saúde animal, melhoria de espécies, plantio na região do semiárido, vitivinicultura, aquicultura, entre outras. Há interesse em retomar e renovar essa cooperação. Atualmente, várias universidades húngaras oferecem cursos em língua portuguesa, e o interesse é crescente. O Brasil mantém leitorado na Universidade de Elte e executa programa de doação de livros em português para bibliotecas locais e de tradução de obras clássicas sobre literatura, história e cultura brasileira.

Em março, o Brasil participou do Foro Hungria-América Latina, organizado pelo governo húngaro e dividido em três segmentos: político, econômico-comercial e científico e tecnológico, que contou com a presença da presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Helena Nader. As perspectivas de retomada da cooperação técnica e da ampliação do intercâmbio acadêmico foram bastante fortalecidas durante a visita a Budapeste, em novembro passado, do então ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

O anúncio do Rio de Janeiro como próxima sede do Foro Mundial de Ciências foi formalizado durante a visita do ministro Mercadante, em evento que contou com a presença do presidente da Academia Brasileira de Ciências, Jacob Palis, do presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, deputado Bruno de Araújo, e de personalidades do mundo da cultura e da ciência.

Além da Unesco e do Conselho Internacional para as Ciências (ICSU), mais de 800 cientistas de todos os continentes estarão presentes no VI Foro Mundial das Ciências, no Rio de Janeiro. Será a primeira vez que o encontro bianual se realizará fora de Budapeste. O propósito dessa mudança temporária visa a elevar o perfil internacional da conferência, e a escolha do Brasil traduz o reconhecimento dos avanços tecnológicos que o País vem logrando em áreas como energia, segurança alimentar, saúde e meio ambiente.

A Hungria sempre exerceu papel de relevo na Europa Centro-Oriental, sobretudo no campo do conhecimento, e possui tradição de excelência em ciências naturais e matemáticas, física, química e biologia. Universidades húngaras como a Elte, a de Tecnologia e Economia, a de Semmelveis, no campo da medicina, as de Szeged, Gyor, Debrecen e Pécs recebem estudantes de todas as partes do mundo para cursos de mestrado em inglês e alemão. A Academia de Ciências da Hungria, encarregada da organização do foro, goza de prestígio nacional e internacional.

A conferência mundial dará maior visibilidade aos esforços brasileiros em matéria de educação, ciência e tecnologia. O reconhecimento internacional do progresso tecnológico alcançado por empresas brasileiras como Petrobras, Embraer, Vale, Embrapa e Fiocruz bem como por bancos e entidades financeiras nacionais, como o BNDES, é encorajador. Trata-se de conquistas fundadas em amplo esforço gerencial, científico e tecnológico. Atestam o que há de melhor na educação, na criatividade e no espírito empreendedor da sociedade brasileira.

O futuro de um país depende da educação de seu povo, de sua capacidade de inovar e manter-se competitivo. A parceria entre o Brasil e a Hungria nesse campo de atividade remonta a um paradigma de política externa identificado com o imperativo de promover e preservar condições de acesso ao conhecimento. Em Budapeste, o ministro Mercadante propôs que o VI Foro Mundial de Ciência versasse sobre o tema Ciência para o Desenvolvimento, convencido de que a internacionalização da ciência é condição obrigatória para o desenvolvimento global e a redução de assimetrias econômicas.