Mário Neto Borges permanece na presidência do Confap

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O engenheiro Mário Neto Borges foi reeleito nesta quinta-feira (24) para o terceiro mandato à frente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap). A eleição aconteceu durante a primeira reunião do grupo deste ano, realizada na capital do Espírito Santo, que contou com a participação de 22 representantes das FAPs de todo o país.

Em entrevista exclusiva ao Gestão C&T online, Neto detalhou quais serão suas prioridades para o ciclo 2011/2012, avaliou o cenário de ciência e tecnologia (C&T) do Brasil e garantiu: “não é possível fazer mais com menos”. Leia a entrevista na íntegra.

Na opinião do senhor, quais são os principais desafios para a ciência e tecnologia brasileiras e qual o papel do Confap nesse cenário?

O Brasil vive um momento muito bom do ponto de vista do reconhecimento pela sociedade e pelos governantes de que a ciência, tecnologia e inovação têm que estar na pauta porque elas geram realmente um desenvolvimento sustentável de longo prazo, com lastro e isso torna o papel das agências de fomento muito importante.

Aconteceu no ano passado a 4ª Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia [realizada em maio, em Brasília (DF)] e o Confap teve um desempenho fundamental nesse processo, o que aumentou o papel do conselho no cenário nacional. O que pretendemos fazer é basicamente consolidar essa atuação institucional do Confap e procurar aumentar as articulações.

E que tipo de articulação é importante para o conselho?

Primeiro a articulação das FAPs com os órgãos federais. Nós conseguimos trazer para este evento duas agências importantes: Finep e CNPq. Ainda teremos um encontro com a Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior], mas essa relação precisa ser ampliada.

Outra interação muito importante é entre as próprias FAPs porque muitas vezes temos áreas de interesses para dois Estados, em que é possível promover programas conjuntos. Hoje isso já acontece, mas também precisa ser fortalecido. E o terceiro eixo é a articulação internacional, que pretendemos avançar nessa gestão.

O senhor poderia indicar um tema que merece atenção especial nesse momento?

Sem dúvida o arcabouço legal para CT&I. Trata-se de um grande obstáculo e só de forma articulada entre nós mesmos, com as agências federais e o próprio Congresso Nacional, poderemos fazer uma grande mudança no marco regulatório.

Outro ponto extremamente fundamental é a divulgação científica para a sociedade. Devemos mostrar para a população a importância da ciência, tecnologia e inovação. E se a sociedade entender isso e valorizar a CT&I como indutora do desenvolvimento do país, ela passará a lutar pela manutenção de um cenário positivo para o setor.

Para o Confap a nova presidente da República, Dilma Rousseff, assim como o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, manterão esse ambiente positivo para a área, com a elevação dos recursos financeiros e aumento das políticas e programas para o desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil?

Nós tivemos um susto inicial com o corte no Orçamento de R$ 50 bilhões. Esse ajuste nos preocupa muito, porque ficamos sabendo hoje pela Finep e pelo CNPq, que haverá corte nessas duas agências.

Nós já decidimos fazer uma moção no sentido de alertar o governo federal de que esses cortes não podem ser feitos. São nos momentos de crise que devemos investir mais em CT&I, para que possamos não só sair dela, como desenvolver o país, gerar mais riqueza, emprego e retomar o crescimento com lastro.

Na sua opinião, qual será o impacto do corte de R$ 1,7 bilhão no Orçamento do MCT, anunciado na última semana?

Na minha opinião, as bolsas não sofrerão. Mas, acredito que vai diminuir o número de editais e haverá também um alongamento dos programas. Isso significa que as ações que poderiam ser feitas em um ano serão realizadas em dois. Dessa forma, a gente vai absorver esse corte, se ele vier mesmo, de uma forma menos impactante para a ciência nacional.

O ministro da C&T tem falado que é preciso fazer mais com menos. O senhor acredita que isso é possível?

Eu acho que é pouco provável porque a área de C&T no Brasil sempre trabalhou com muito pouco. Essa orientação vale para a máquina burocrática tradicional do governo, tanto federal, estadual como municipal. Mas não se aplica para o setor científico.

Informações sobre as ações do Confap estão disponíveis no site www.confap.org.br.

(Cynthia Ribeiro, de Vitória, para o Gestão C&T online - a repórter viajou a convite do Confap)