Presidente do CNPq, Glaucius Oliva, é o novo entrevistado da Seção Impressão

Seção Entrevista - Entrevistas

Mesmo num ano de ajuste fiscal, o CNPq manterá todos os projetos vigentes e poderá, ainda, lançar novas ações. É o que garante o presidente da instituição, Glaucius Oliva. Em entrevista exclusiva para o Gestão C&T online, ele fala como o conselho atuará para atender a determinação do governo federal de ‘fazer mais com menos’ e destaca quais projetos serão priorizados em sua gestão.

Oliva também detalha a proposta do programa de bolsas para institutos de pesquisa tecnológica, que tramita na casa e destaca a importância da manutenção das parcerias com as agências congêneres. Veja a seguir a entrevista na íntegra:

O senhor destacou na sua cerimônia de posse que pretende, em quatro anos, dobrar o volume de investimentos, alcançando a marca de R$ 3,5 bilhões executados. Quais projetos serão priorizados?

Para atender a crescente demanda da comunidade científica e tecnológica, nós vamos precisar de mais recursos e a nossa proposta é realmente dobrar os recursos hoje disponíveis ao CNPq para investimento. O mais importante é que esses recursos possam ser direcionados para áreas estratégicas e prioritárias do país.

Nós precisamos, por exemplo, aprofundar o nosso sistema de inovação tecnológica, com mais e novos instrumentos que levem apoio às indústrias inovadoras, para que elas realizem inovação e incorporem pessoal qualificado nas empresas.

Outro aspecto que o CNPq vai priorizar são as áreas nas quais o Brasil é altamente competitivo. Nesse contexto, cito a questão do meio ambiente e biodiversidade; energias renováveis; nanotecnologia; saúde; e a formação de recursos humanos. O CNPq não pode renunciar, ao contrário, tem que avançar ainda mais na formação de recursos humanos.

Nesta semana o governo federal anunciou o corte de R$ 50 bilhões no orçamento da União e sabemos que será um ano de ajuste fiscal. Como o CNPq trabalhará para atender a determinação do governo federal de fazer ‘mais com menos’?

Nós teremos que participar desse esforço de ajuste fiscal. Trata-se de uma questão para todos os brasileiros. É um problema nacional. Mas, nós temos deixado claro para o governo em todas as suas instâncias que os gastos com ciência, tecnologia e inovação (CT&I) são investimentos e não custeio. A continuidade dos investimentos nesse setor é essencial e nós estamos lutando para isso.

Nós temos a certeza de que vamos conseguir acomodar dentro dos recursos disponíveis todos os projetos hoje vigentes e, na medida do possível, começar algumas ações novas. O que já posso garantir é que teremos todos os editais regulares, como universal, bolsa de produtividade em pesquisa, auxílio à realização de congressos e bolsas especiais. Todos esses estão mantidos.

O ex-ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, anunciou no final do ano passado que estava formatando, em parceria com o CNPq, um programa de bolsas para os institutos de pesquisa tecnológica (IPTs). Qual a situação atual desse projeto?

Os institutos têm tido um papel importantíssimo para a economia dos Estados e, como nas avaliações para os programas de bolsas de produtividade do CNPq freqüentemente a produção acadêmica é muito considerada, é importante criar um sistema específico que ajude a fixar os pesquisadores dos institutos estaduais de pesquisa, com a oferta de bolsas de produtividade e desenvolvimento tecnológico e extensão inovadora.

Para formatar o programa, foi lançado um convite aos Estados para que eles se manifestem sobre o potencial interesse. Nós estamos na etapa de receber essas informações para dimensionarmos a demanda. Quando isso for finalizado, vamos apresentá-lo ao novo ministro, Aloizio Mercadante.

O senhor pretende fortalecer as parcerias com as agências congêneres, como a Finep e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes)?

Certamente. Hoje o sistema é composto por vários componentes. Cada agência tem o seu papel bem definido, mas se todas trabalharem juntas, o resultado será muito melhor. Vamos continuar lançando editais conjuntos em várias áreas.

Com a Capes, por exemplo, nos próximos dias vamos lançar o edital do novo Programa Nacional de Integração da Pós-graduação, o Casadinho/Procad. Também teremos a renovação dos INCTs [institutos nacionais de ciência e tecnologia], por um período de dois anos. Podemos, ainda, auxiliá-la na formação de professores, com o lançamento de editais para a instrumentação de materiais científicos e que estimulem os professores universitários a participarem de atividades de educação.

Já a Finep tem uma missão muito clara para a área de inovação, mas o CNPq pode fazer uma inovação diferente. Podemos conceder bolsas e estimular aquela inovação mais desafiadora, mais próxima ao cientista que está na universidade.

Informações sobre as ações do CNPq podem ser obtidas no site www.cnpq.br.

(Cynthia Ribeiro para o Gestão C&T online)