Presidente do Consecti é o novo entrevistado da Seção Impressão

Seção Entrevista - Entrevistas

O presidente do Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de CT&I (Consecti), René Barreira, apresenta, em entrevista ao Gestão C&T online, um balanço da sua gestão iniciada em abril de 2009. Ele destaca iniciativas como a instalação da Rede Bionorte de Biotecnologia e a articulação com diversos ministérios, como os da Saúde, Educação, e de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior para a elaboração de projetos conjuntos com os sistemas estaduais de CT&I. "Algumas ações são fundamentais e se inspiram inteiramente nos objetivos do Consecti", afirma. Veja, a seguir, a íntegra da entrevista.

No início de abril de 2009, o senhor foi eleito presidente do Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de CT&I (Consecti). Quais são as principais ações desenvolvidas na sua gestão?

Algumas ações são fundamentais e se inspiram inteiramente nos objetivos do Consecti. Refiro-me, por exemplo, à realização de eventos capazes de mobilizar os setores ligados à CT&I e de repercutir na sociedade, enriquecendo a discussão em torno de alguns temas atuais. O 4° Seminário Tecnologias Estratégicas Brasil e Itália, o 2° Seminário Tecnologias Estratégicas Brasil e França, o Seminário Internacional de Tecnologias Sociais são representativos dessa política. Também estamos oferecendo apoio à 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI) e à Conferência Nacional de Educação (Conae).

Dignos de registro são também um novo ciclo de Capacitação de Técnicos dos Sistemas Estaduais de Ciência e Tecnologia, que se realizará graças a uma ampla parceria envolvendo Consecti, Finep, União Européia e Anpei, e os esforços que estamos desenvolvendo para fortalecer a comunicação. É nessa perspectiva que se está gerando uma nova proposta para o site do Consecti, baseado em informações de todos os sistemas estaduais de CT&I. O propósito, aqui, é não apenas nos comunicarmos melhor com a sociedade, mas também estreitarmos os vínculos entre esses sistemas.

Diante de tais realizações, o que o senhor poderia destacar como primordial na contribuição ao Sistema Nacional de CT&I?

Podemos enumerar as principais realizações, embora correndo o risco de incorrer em omissões. Citaria, de início, a instalação da Rede Bionorte de Biotecnologia e Biodiversidade, em parceria com o MCT e nos moldes da Renorbio, que também inspirou a instalação da Rede Cerrado de Pesquisas, tendo como parceiros o Forprop e o MCT. Juntamente com a Sudam e a Sudene, elaboramos o edital de recursos destinados à C&T nas zonas de abrangência dessas duas superintendências regionais.

Sempre nos valendo de enriquecedoras parcerias, nos aproximamos dos ministérios da Saúde, da Educação, e de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, para a elaboração de projetos conjuntos com os sistemas estaduais de CT&I. Com a Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem) formatamos o primeiro edital do MCT/Finep para as universidades estaduais.

Registre-se, ainda, a renovação do acordo com a Itália e a assinatura do Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica com a França, país com o qual também pactuamos a realização da exposição “Matématique”, com mais de 100 mil visitantes nas cidades de Recife, Petrolina, Aracaju, Natal, Florianópolis, Palmas, Manaus, Brasília e Belo Horizonte.

Fechando essa amostra, que deve ser vista como uma prestação de contas parcial, quero ainda apontar como significativas a unificação das assessorias de imprensa dos Estados, através do Consecti, assim como a realização de três fóruns nacionais, que tiveram como sede as cidades de São Paulo, Belo Horizonte e Olinda.

Como tem sido a atuação das diretorias regionais do conselho?

A atuação das diretorias regionais tem sido voltada para o fortalecimento das instituições locais e a diminuição das diferenças intra e inter-regionais. O maior exemplo disso foi a instalação de redes de pesquisa nas regiões Norte (Rede Bionorte), Nordeste (Renorbio) e Centro-Oeste (Rede Cerrado), fruto da iniciativa em parceria com instituições locais, MCT e as diretorias regionais. Ações em parceria com instituições de natureza regional – como Sudene, Sudam, Suframa, BNB e Banco da Amazônia – têm sido destaque das diretorias regionais.

Como o senhor avalia a importância da articulação do Consecti com o Confap?

Desde o início de nossa gestão temos tido uma excelente relação com o Confap na perspectiva de consolidação e fortalecimento do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Ressaltamos ainda a interlocução e a participação recente do Fórum dos Secretários Municipais de Ciência, Tecnologia e Inovação em nossos encontros regionais e nacionais.

Vamos falar um pouco sobre o cenário da ciência e tecnologia no Ceará. Quais ações estão sendo priorizadas?

Nós estamos empenhados na consolidação de um Sistema Estadual de CT&I voltado para o desenvolvimento econômico, social, sustentável e includente do Ceará. Essa é a nossa missão. Nessa perspectiva, durante a atual gestão foi instalado o Conselho Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, presidido pelo governador Cid Gomes, e sancionada a Lei Estadual de Inovação.

Recentemente tivemos o lançamento do primeiro edital com recursos do Fundo de Inovação Tecnológica do Ceará (FIT), que vai financiar o desenvolvimento de tecnologias inovadoras nas empresas cearenses, com o objetivo de ampliar seus mercados. A nossa Ação Corredores Digitais também é outra iniciativa de destaque, e seu estímulo ao empreendedorismo juvenil na área de tecnologia da informação está sendo reconhecido em todo o país.

Também estamos priorizando as ações da Funcap, voltadas principalmente para a formação de recursos humanos altamente qualificados nas diversas áreas do conhecimento. O investimento nas nossas três universidades estaduais, em termos de pessoal e infra-estrutura física e de equipamentos, foi duplicado em relação ao governo anterior.

Além disso, realizaremos a nossa 2ª Conferência Estadual de Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior, que vai percorrer diversos municípios do Ceará durante os meses de fevereiro e março, estabelecendo uma ponte entre aqueles que ofertam e aqueles que demandam investimentos em CT&I. E em agosto de 2010, vamos realizar a 2ª Conferência Internacional sobre Clima, Desenvolvimento e Sustentabilidade em Regiões Semiáridas (ICID+18), que reunirá participantes do mundo inteiro para o debate sobre desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável dessas regiões.

A Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará (Nutec) inaugurou o Centro de Referência em Automação e Robótica, que conta com o apoio da Secitece. Como o senhor avalia a importância dessa iniciativa para o desenvolvimento científico e tecnológico do Ceará?

A inauguração do Centro de Referência em Automação e Robótica (Centauro) no Nutec abre novas perspectivas para o desenvolvimento científico e tecnológico da automação e robótica aplicado às empresas privadas e organizações públicas que demandem essa moderna tecnologia.

Fruto de parceria entre a Secitece, o Nutec, a UFC e a empresa Rockwell Automation do Brasil Ltda., o Centauro também será decisivo na formação de talentos que atuarão em áreas estratégicas, portadoras de futuro, colocando o Ceará como uma referência importante, principalmente para a região Nordeste do Brasil. A importância para o Ceará está diretamente relacionada à vocação industrial do Estado e, principalmente, aos novos empreendimentos de grande porte, como a usina siderúrgica, a refinaria, o parque eólico, entre outros, que demandarão tecnologias industriais inovadoras, como as que serão desenvolvidas nesse centro.