Secretário de C&T do Espírito Santo é o novo entrevistado da Seção Impressão

Seção Entrevista - Entrevistas

O secretário de Ciência e Tecnologia do Espírito Santo, Paulo Foletto, avalia, em entrevista ao Gestão C&T online, como positivos os resultados do Programa Nossa Bolsa. A iniciativa, que concede bolsas de graduação em instituições particulares de ensino do Espírito Santo, contempla alunos de 73 dos 76 municípios capixabas. "O Programa Nossa Bolsa faz parte da carteira de projetos estratégicos do governo", afirma.

Foletto ainda fala sobre o processo de amadurecimento do Sistema Estadual de Ciência e Tecnologia. Ele destaca a ampliação dos recursos financeiros, o aumento do número de programas de pós-graduação e de projetos financiados em diversas áreas do conhecimento. Veja, a seguir, a íntegra da entrevista.

Como o senhor avalia os resultados do Programa Nossa Bolsa?

Os resultados são positivos. O Nossa Bolsa é um programa de inclusão social e o seu objetivo é conceder bolsas de graduação em instituições particulares de ensino do Espírito Santo. O programa já beneficiou mais de quatro mil alunos de 73 dos 76 municípios capixabas. Uma pesquisa feita para acompanhar o desempenho acadêmico dos alunos do Programa Nossa Bolsa revelou que os bolsistas tiveram notas médias iguais ou superiores às dos alunos que não são bolsistas. As notas utilizadas no levantamento abrangem resultados do segundo semestre de 2006 até o primeiro semestre de 2008.

O resultado da pesquisa deixou a equipe bastante alegre, pois mostra que o investimento feito pelo Governo do Estado na capacitação do capital humano de jovens de classes com menor poder aquisitivo tem um retorno positivo. Estes estudantes são conscientes e o desempenho deles comprova que estamos formando profissionais qualificados para atender o desenvolvimento do Estado. O Programa Nossa Bolsa faz parte da carteira de projetos estratégicos do governo e, até o final deste ano, está previsto um investimento na ordem de R$ 16 milhões.

Quais serão as ações para 2010 em relação ao programa?

Para 2010, a secretaria vai ofertar mil bolsas integrais em faculdades particulares capixabas. A Sect vai realizar a terceira pesquisa de verificação in loco do perfil socioeconômico dos estudantes e o resultado será divulgado em 2010. Até o final deste ano vamos formar 440 bolsistas do programa, sendo 187 já formados.

Também pretendemos fazer uma outra pesquisa para verificar a melhoria do rendimento familiar após a conclusão do curso. Além disso, será ofertada Bolsa-Dedicação, que é um auxilio financeiro no valor de R$ 300 trimestrais, exclusivamente para custeio das despesas educacionais dos bolsistas dos cursos que exigem maior dedicação aos estudos.

Os bolsistas de áreas que requerem mais dedicação aos estudos, como as de exatas e saúde, têm dificuldade de manter sua bolsa porque não conseguem, em muitos casos, obter a aprovação necessária para a renovação, já que devem conciliar o horário de estudo com o do trabalho para completar a renda familiar. Com a concessão da Bolsa-Dedicação o bolsista não poderá exercer atividades remuneradas e se dedicará apenas ao aprendizado.

Como o senhor analisa o cenário de C&T no Espírito Santo?

Estamos no processo de amadurecimento do Sistema Estadual de Ciência e Tecnologia. Após seis anos, temos a ampliação dos recursos financeiros, o aumento do número de programas de pós-graduação, de projetos financiados em diversas áreas do conhecimento. Neste momento, estamos discutindo a implantação da Lei Estadual de Inovação que utilizará como base a Lei Nacional de Inovação, publicada em 2004.

Nosso diferencial é que serão abordadas especificidades regionais como, por exemplo, as agências de fomento, as instituições científicas e tecnológicas públicas e particulares, os núcleos de inovação tecnológica, as incubadoras de empresas, os parques tecnológicos, dentre outros. Para ampliar o debate e a participação da elaboração da lei, estão sendo promovidas mesas redondas em regiões estratégicas do Estado.

Quanto a Fapes terá de recurso este ano e onde serão aplicados?

Vamos encerrar 2009 com R$ 50 milhões de investimentos. As ações e o apoio à ciência e tecnologia foram divididos em cinco programas: nas instituições de ensino e pesquisa; na inovação nos ambientes empresariais; em áreas estratégicas para o Espírito Santo; em aplicações diretas para o desenvolvimento social; e em bolsas de estudo, contemplando desde estudantes do ensino médio até alunos de doutorado. Todos os projetos são realizados em parceria com instituições capixabas de ensino e pesquisa.

Quais são as prioridades da sua gestão?

A ampliação do Programa Nossa Bolsa e a implantação da Rede de Centros Vocacionais Tecnológicos na Região Metropolitana e expandi-la para a região Norte do Espírito Santo. Umas das nossas prioridades está sendo a descentralização dos investimentos em ciência, tecnologia e inovação, como a implantação do projeto Cidade Digital que contempla diversos municípios do interior do Espírito Santo.

(Isadora Lionço para o Gestão C&T online)