Secretário de C&T do Maranhão é o novo entrevistado da Seção Impressão

Seção Entrevista - Entrevistas

Em entrevista ao Gestão C&T online, o novo secretário de Ciência, Tecnologia, Ensino Superior e Desenvolvimento Tecnológico do Maranhão, Waldir Maranhão, destaca a importância de definir uma política estadual de CT&I que resulte em uma ação que possa dar sustentação para a transformação do Estado. "Precisamos entender a ciência e tecnologia como uma área transversal na medida em que ela se associa com outros setores como segurança pública, infra-estrutura, saúde, turismo, enfim, que se entenda a ciência e tecnologia como uma atividade meio, que interage com as macro políticas públicas", afirma.

Nesse contexto, ele considera como fundamental o desenvolvimento de ações voltadas à educação profissional e aponta iniciativas como os centros integrados de educação do Maranhão (Ciemas), os centros vocacionais tecnológicos (CVTs), os pólos tecnológicos e o Centro de Treinamento Técnico Associado. "Enfim, há de ser criada uma grande rede tecnológica", diz. Veja, a seguir, a íntegra da entrevista:

O senhor tomou posse em maio como secretário de Ciência e Tecnologia do Maranhão. Quais são as prioridades da sua gestão?

Nós precisamos definir, de forma muito clara, o que seria uma política de ciência, tecnologia e inovação (CT&I), que resulte em uma ação que possa dar sustentação para a transformação do Estado. Precisamos entender a ciência e tecnologia como uma área transversal na medida em que ela se associa com outros setores como segurança pública, infra-estrutura, saúde, turismo, enfim, que se entenda a ciência e tecnologia como uma atividade meio, que interage com as macro políticas públicas.

Quais são os desafios da Secretaria Estadual da Ciência e Tecnologia?

A Secretaria de Ciência e Tecnologia (Sectec) tem que criar um perfil de quem possa olhar nitidamente o que está acontecendo e o que poderá acontecer no Estado do Maranhão. Temos que olhar o que significa a Alumar, a Vale, o que significará a Refinaria Premium da Petrobras, a Hidrelétrica de Estreito e a Siderúrgica, por exemplo. A Sectec tem que fazer a avaliação dessas oportunidades e investimentos e se organizar. Essa organização passa, fundamentalmente, pela definição de um eixo norteador das ações associadas e que ações associadas serão essas. Temos que definir quais são os nossos principais produtos e parceiros.

Quando falamos em refinaria, por exemplo, vislumbramos que lá na frente nós poderemos ter um polo petroquímico. Em síntese, o papel da Sectec hoje é definir projetos que delineiem amplamente a capacitação tecnológica da população. Essa população, uma vez capacitada, cria pré-condições de integrar os principais projetos. Eu sempre vejo que qualquer município do Maranhão está associado aos demais. A redução das desigualdades sociais só será possível à medida que sejam interiorizadas as ações, popularizando a ciência, fazendo entender que a ciência não pode ser vista como uma matéria de elite.

Um Estado como o Maranhão não pode se dar ao luxo de permanecer com baixos indicadores sociais e econômicos. Para que o Estado possa avançar ele tem que investir em ciência e tecnologia, no conhecimento. Nós estamos trabalhando na possibilidade de direcionarmos muito claramente o que deva ser o Plano Diretor da Educação Superior do Estado do Maranhão e defini-lo de forma que agregue as universidades públicas no Estado do Maranhão como o Ifet, a Uema, a Universidade Federal, onde respeitadas as suas particularidades e competências, elas possam interagir dentro da diretriz do que seja CT&I. Para isso, nós temos que trabalhar a construção de uma convivência. Temos que trabalhar os espaços vazios para que sejam preenchidos com um Plano de Estado que remeta, no futuro, para as transformações que desejamos.

A educação profissional pode ser considerada o carro-chefe da Sectec. Como ela será tratada neste cenário?

A educação profissional neste aspecto assume um papel fundamental e não pode mais ser vista como um subproduto da educação. A educação básica já tem, constitucionalmente, as suas obrigações e desafios e o que nós queremos é recolocar a educação profissional dentro de um espírito que seja a Política de Ciência e Tecnologia do Estado do Maranhão. Para isso, nós temos algumas definições já bem detalhadas como, por exemplo, os nossos centros integrados de educação do Maranhão (Ciemas), os nossos centros vocacionais tecnológicos (CVTs), os polos tecnológicos e o Centro de Treinamento Técnico Associado, que deve ficar na cidade de Rosário.

Enfim, há de ser criada uma grande rede tecnológica. Nós precisamos, ainda, definir um modelo de cooperação onde nós poderemos buscar instituições como o Sesc, Senac, a sociedade civil organizada e as empresas, que devem estar integradas a este novo momento.

O senhor defende a criação de um parque tecnológico no estado. De que forma este projeto será desenvolvido e que impactos pode trazer?

O Maranhão necessita compreender que sem base científica e experimentação tecnológica não vai recuperar rapidamente o seu atraso. É preciso investir em capital humano, nas incubadoras... E um parque tecnológico deve ser um parque temático onde o pólo de software deve ser a espinha dorsal desse empreendimento, como acontece em todos os outros parques. O Maranhão não pode se dar ao luxo de não ter o seu parque.

Este empreendimento vai ser um grande laboratório onde serão definidos os processos para a obtenção de produtos e onde as empresas perceberão que foram responsáveis para que estes produtos chegassem ao comércio.  Então, a relação entre governo, empresas, universidade e sociedade sempre vai existir e esta ligação sempre haverá de estimular o desenvolvimento.

Que ações a Sectec prevê com a chegada da Refinaria Premium da Petrobras ao Maranhão?

Nós já temos concluída uma proposta que chamamos de Centro de Treinamento Técnico Associado. Este centro terá cerca de 9 mil m² de área construída, onde teremos laboratórios de mecânica, elétrica e siderurgia, por exemplo, e vai preparar a mão-de-obra desde a construção civil, para a parte básica, até a fase final onde nós teremos condições de implementar os grandes programas de formação de mão-de-obra com cursos em nível de mestrado e doutorado.

Este centro de treinamento será a base do parque tecnológico que ficará sediado no município de Rosário e, a partir daí, nós delinearemos como um centro desses pode se tornar associativo, buscando parcerias com as universidades, as empresas e a sociedade civil organizada. Para isso, nós temos que dividir o trabalho em dois momentos: na primeira fase da obra nós podemos dar um bom treinamento para o eletricista, soldador, mestre de obra, carpinteiro e todas aquelas profissões inerentes à construção civil. Nós estaremos com este centro com condições para dar suporte.

A previsão é de 22 mil pessoas trabalhando nesta primeira fase. E o que antecede este momento é uma grande seleção que acontecerá por meio do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp). Essa seleção acontecerá através de um exame nacional que, sendo um processo nacional, certamente, vai ser um objeto de disputa de todos os brasileiros dos mais diferentes Estados. É bem aí que a Sectec vai criar condições de dar um reforço educacional para nossos trabalhadores, fazendo um nivelamento entre todos os maranhenses.

Nós temos que olhar a refinaria além da cidade de Bacabeira, onde será instalada. Nós vamos criar oportunidades para que o maranhense de qualquer região receba um curso mínimo de língua portuguesa e matemática, por exemplo. Essa é uma ação inclusiva e democrática onde o governo do Estado vai envidar todos os esforços para que aconteça rapidamente.

O senhor será o anfitrião do próximo fórum de secretários de ciência e tecnologia do nordeste. Qual é a importância de o estado sediar um evento desse porte?

A realização de um evento regional de secretários de Ciência e Tecnologia dos Estados do Nordeste é um passo positivo na troca de idéias com os nossos parceiros. Nós temos que estabelecer uma linha de diálogo permanente, conhecendo o que os outros Estados estão fazendo, além de colocar as nossas competências e o que estamos realizando para o Estado do Maranhão. Portanto, eu vejo como um excelente momento a realização desse encontro.

No próximo ano nós teremos a Conferência Nacional da Ciência e Tecnologia e esta reunião acaba sendo preparatória para discutir qual o novo conceito para este capital tão importante que é a educação, como suporte de mudança e avanço. Portanto, eu entendo que desta forma nós estamos sendo coerentes com as nossas metas, priorizando nossas ações e compartilhando experiências. O fórum será um momento para discutir e socializar nossos exemplos.

(Bianca Torreão para o Gestão C&T online)