Seção Impressão traz entrevista com o novo vice-presidente da ABIPTI pela região Nordeste

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O novo presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq), Michel François Fossy, acaba de assumir um novo desafio. Recentemente, ele aceitou o convite para atuar como vice-presidente da ABIPTI pelo Nordeste. Fossy assume a vaga de Maria José Lima da Silva no cargo, que até então representava a região no conselho diretor da associação.

Em entrevista ao Gestão C&T online, ele fala sobre as prioridades e desafios da sua gestão na Fapesq, que teve início em março. Fossy também faz uma avaliação sobre o desenvolvimento científico e tecnológico na Paraíba. “O Estado é o que apresenta o maior número de doutores por habitante na região Nordeste”, destaca. 

O novo dirigente ainda ressalta a importância do papel do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap). Segundo ele, a entidade é fundamental para estimular os programas regionais, integrar e compartilhar as diversas ações feitas nas FAPs. Veja, a seguir, a íntegra da entrevista:   

O que será priorizado em sua gestão como presidente da Fapesq?

Darei continuidade à realização de atividades que oferecem oportunidades de fomentar a pesquisa e a formação científica, tecnológica e inovação necessárias ao desenvolvimento sócio-cultural e econômico do Estado, com recursos financeiros oriundos de diversos setores, tanto dos governos federal e estadual e do setor produtivo. 

Como o senhor avalia o trabalho das FAPs dos Estados, principalmente na Paraíba?

As FAPs atuam em diversas ações objetivando o atendimento à meta do desenvolvimento sócio-econômico sustentável do Estado, a partir das iniciativas e demandas oriundas dos vários setores produtores de CT&I. 

Nos últimos anos, a Fapesq vem realizando diversas atividades com este mesmo objetivo e assim ressaltar a evidente importância da sua manutenção para o fortalecimento da CT&I no Estado da Paraíba.  

Qual a principal dificuldade para o desenvolvimento das atividades da Fapesq?

O aporte de recursos ao Fundo Estadual de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Fect) é fundamental para dotar as instituições constituintes do Sistema Estadual de Ciência e Tecnologia da autonomia financeira necessária para a execução de uma política de captação de investimentos externos. Para a sua operacionalização, se faz necessário uma revisão no repasse destes recursos para a Fapesq, já que toda a dotação orçamentária se encontra na Secretaria de Ciência, Tecnologia e do Meio Ambiente (Sectma).  

De acordo com o estatuto da fundação, através do decreto nº 19.520, de 16 de fevereiro de 1998, a Fapesq teria uma parcela mínima de 20% do orçamento anual do Fect. Deste modo, poderíamos ampliar o investimento na área de CT&I em programas estaduais, honrar as contrapartidas dos convênios já firmados e assinar novos convênios que trarão como benefício para o Estado a captação de recursos externos, sobretudo dos organismos nacionais e internacionais fomentadores de CT&I, que assim atenderia as prioridades na área de ciência, tecnologia e inovação da Paraíba. 

Qual é o orçamento da fundação para este ano e onde esses recursos serão aplicados?

Foi autorizado pela Secretaria de Planejamento um orçamento de R$ 1.812.600,00 para o ano de 2009, valor que na sua totalidade servirá para atender às contrapartidas de alguns convênios. 

Como o senhor vê o desenvolvimento científico e tecnológico do Estado da Paraíba atualmente?

O Estado da Paraíba é o que apresenta o maior número de doutores por habitante na região Nordeste. Essa equivalência doutor/habitante vem aumentando significativamente, considerando o número de programas de pós-graduação existentes nas instituições de ensino superior (IES) do Estado, o número de profissionais dessas instituições em programas de qualificação, em instituições do país ou do exterior e a expansão da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).  

Além disso, também podemos citar a execução, tanto na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), como na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), do Programa de Apoio ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), que até 2012 será o responsável para a expansão destas universidades com a criação de novos cursos e novos campi. Conseqüentemente, com o crescimento do quadro de docentes destas instituições, principalmente com nível de doutorado, existe um grande potencial de recursos humanos para colaborar com o desenvolvimento científico e tecnológico do Estado da Paraíba. 

Como o senhor avalia a importância do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap)?

O Confap sendo como uma coordenação geral das FAPs tem um papel fundamental no campo da ciência, tecnologia e inovação, para estimular os programas regionais, integrar e compartilhar as diversas ações feitas nas FAPs.  

A entidade também deve mostrar à sociedade quais ações estratégicas contribuem para o desenvolvimento do Estado, promover a articulação com os diversos setores federais e discutir assuntos que possam apresentar diretrizes que permitam contribuir com o processo de desenvolvimento científico e tecnológico no país, isto é, na definição da Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, observando as diretrizes governamentais e interesses da comunidade científica e tecnológica. 

(Alessandra Braga para o Gestão C&T online)