Alckmin diz que IPT é essencial para o desenvolvimento de SP e considera o Consecti um fórum privilegiado

Seção Entrevista - Entrevistas

Em entrevista exclusiva concedida ao Gestão C&T online, o secretário de Desenvolvimento de São Paulo, Geraldo Alckmin, que ocupa o cargo desde janeiro deste ano, diz que o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), é essencial para o desenvolvimento industrial do Estado. “Por isso, introduzimos a gestão corporativa, para dar maior dinamismo à instituição e aproximá-la mais aos setores de produção.” O IPT é associado à ABIPTI.

Sobre o Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de CT&I (Consecti), Alckmin, que passa a integrar a instância, o considera um fórum privilegiado. “Não apenas para troca de experiências entre os Estados, mas para buscar ações de integração no setor de CT&I.”

Para ele, o Consecti tem atuado de forma decisiva nos últimos anos, realizando ações em parceria com o Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap) e defendendo a visão dos Estados nos órgãos da União.
Veja, a seguir, a entrevista com o secretário.

O senhor assumiu a Secretaria de Desenvolvimento, que agrega importantes áreas para o desenvolvimento do Estado de São Paulo. Quais são as suas prioridades nessa gestão que se inicia?

A Secretaria de Desenvolvimento de São Paulo tem como missão promover o crescimento econômico sustentável e a inovação tecnológica, incentivando a adoção de medidas que promovam o desenvolvimento com melhoria da qualidade de vida da população paulista. O foco principal da nossa gestão é promover o estímulo da atividade econômica do Estado para reduzir os impactos da crise financeira e gerar novos empregos no setor produtivo, além de investir na expansão do ensino técnico e tecnológico, com a meta de criar condições para 100 mil novas matrículas no ensino técnico e 50 mil no ensino médio das Etecs, e também a construção de novas Fatecs para alcançar a marca de 52 unidades até 2010.

Como o senhor vê o desenvolvimento científico e tecnológico do Estado de São Paulo na atualidade?

As três universidades públicas paulistas estão entre as melhores do mundo e os seus institutos de pesquisa têm reconhecimento internacional. Por isso, quando eu ainda era governador, iniciamos, junto à então Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, um projeto para dotar o Estado de uma rede de parques tecnológicos. Já temos em andamento o SPTec (Sistema Paulista de Parques Tecnológicos), que estimula e apóia esse tipo de empreendimento. Mais ainda foi aprovada recentemente a Lei Paulista de Inovação, que estabelece instrumentos fortes para estimular a inovação, incentivando os pesquisadores, as instituições de pesquisa e as empresas. E também estamos finalizando os preparativos para o lançamento de um novo edital do Funcet (Fundo Estadual de Ciência e Tecnologia), para apoiar ainda mais as empresas inovadoras.

Com a atual crise econômica, que obstáculos a Secretaria de Desenvolvimento pode ajudar a superar, com relação ao Estado e, até mesmo, ao país?

O governo do Estado está atuando de maneira firme no combate à crise, estimulando a economia e incentivando a geração de empregos. Recentemente, foi anunciado pelo governador José Serra um pacote de medidas que prevê investimentos da ordem de R$ 20,6 bilhões em 2009, que garantirão 858 mil empregos. O dinheiro será destinado a projetos voltados à expansão de metrô e trens, rodoanel, saneamento, habitação, educação, segurança, entre outros.

O senhor, quando se candidatou à Presidência da República em 2006, foi nosso entrevistado, na edição impressa do Gestão C&T. Na época, o senhor defendia uma integração entre as áreas de Defesa, Agricultura e Saúde, juntamente com a ciência e a tecnologia. Como o senhor vê essas áreas no Estado de São Paulo? Há integração?

No Estado de São Paulo, há uma intensa integração dessas áreas com a ciência e tecnologia. As secretarias de Agricultura, Saúde e Segurança Pública administram importantes institutos de pesquisa, como o Instituto de Criminalística, que desenvolve ações em parceria com o IPT. 

Também podemos citar o convênio com o Rodoanel, para propor soluções tecnológicas voltadas ao aprimoramento do desempenho ambiental das obras, o Programa Ambiental Estratégico Aquíferos, com ações voltadas às águas subterrâneas, o convênio de apoio tecnológico à implementação dos empreendimentos financiados pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), que envolve 20 pesquisadores de diversos centros tecnológicos do IPT e muitas outras parcerias.

Também na mesma entrevista, o senhor falou que percebia uma falta de resultados concretos em relação às reuniões do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT), presidido pelo presidente da República. O que o senhor acha da instância hoje? Continua do mesmo jeito?

Os conselhos são muito importantes para a definição de políticas públicas, mas necessitam de dois fundamentos imprescindíveis. O primeiro é a disponibilidade de informações precisas e bem estudadas, apresentando as demonstrações dos resultados existentes. Dados consolidados e bem justificados permitem elaborar políticas públicas consistentes e viáveis. Outro ponto é a capacidade de transformar as políticas aprovadas em ações efetivas que possam ser implementadas pelos órgãos competentes.

Ainda naquela entrevista, o senhor falou dos institutos de pesquisa tecnológica (IPTs), dizendo que seria necessário modernizá-los, criar condições para que desempenhassem suas funções, mas também cobrar resultados. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), um dos mais importantes do país, tem sofrido, constantemente, ataques por parte de instituições que buscam culpados para os seus problemas, como foi o caso recente com a Igreja Renascer, que acusou o IPT de "não ter deixado o telhado em ordem". Caso semelhante aconteceu na época do acidente na pista do aeroporto de Congonhas, em 2007. Como o senhor avalia a atuação do IPT e essas acusações?

É preciso esclarecer que as duas críticas mencionadas são infundadas e proferidas por desconhecimento dos fatos. No caso do Aeroporto de Congonhas, o IPT tinha mensurado o atrito da superfície da pista, apresentando os resultados de uma única propriedade do material utilizado para a recuperação da pista. Não houve aprovação do aeroporto pelo instituto. 

No caso da Igreja, foi feita uma vistoria em 1999 e emitido um relatório com recomendações, inclusive com a orientação de substituição de uma tesoura (espécie de viga de sustentação do teto) e a interdição do local. No ano seguinte, o Instituto recomendou vistorias periódicas para detectar possíveis danos. 

O IPT é essencial para o desenvolvimento industrial do nosso Estado. Por isso, introduzimos a gestão corporativa, para dar maior dinamismo à instituição e aproximá-la mais aos setores de produção. Hoje estamos investindo para modernizar o seu parque laboratorial e treinar o corpo de pesquisadores. 

A expectativa é que neste ano sejam inaugurados diversos laboratórios de apoio às indústrias, como o de produção de protótipos navais, o centro de microscopia de alto desempenho e o laboratório de realidade virtual. Até 2010, estão previstos investimentos de mais de R$ 150 milhões para o IPT.

O senhor agora fará parte do Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de Ciência, Tecnologia e Inovação (Consecti). O que o senhor sabe a respeito do conselho e como acha que essa instância deve agir perante ao Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia?

O Consecti é um fórum privilegiado, não apenas para troca de experiências entre os Estados, mas para buscar ações de integração no setor de CT&I. O conselho tem atuado de forma decisiva nos últimos anos, realizando ações em parceria com o Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap) e defendendo a visão dos Estados nos órgãos da União, tanto no âmbito do Poder Executivo como no Legislativo. Terei muito prazer em participar do Consecti e espero colaborar para fortalecê-lo ainda mais.

(Fabiana Santos* para o Gestão C&T online)

*A jornalista realizou a entrevista antes de seu desligamento da equipe do Gestão C&T.