Uma revolução no ensino superior, artigo de Geraldo Alckmin

Análise de Especialistas - Opinião

Geraldo Alckmin é médico e governador do estado de São Paulo. Artigo publicado na Folha de São Paulo no dia 18 de abril.

A educação é a principal ferramenta para a ascensão profissional e social dos cidadãos. Não importam as circunstâncias econômicas, as pessoas com qualificação saem na frente na hora de conseguir o primeiro emprego ou, se já incluídas no mercado de trabalho, obter promoções nas empresas em que atuam.

No Brasil, contudo, apenas 11% da população em idade adulta têm nível superior. É um número bem abaixo do exibido por países como Canadá, Estados Unidos e Chile, nos quais esse índice chega a 50%, 41% e 24%, respectivamente.

Para ajudar a reverter esse quadro, o governo do estado de São Paulo abre um novo caminho na expansão do ensino superior público, gratuito e de qualidade, por meio do projeto de lei que, enviado nesta quarta-feira (18) à Assembleia Legislativa, cria a quarta universidade estadual paulista: a Fundação Univesp - Universidade Virtual do Estado de São Paulo.

A Univesp permitirá a democratização do ensino superior numa escala quantitativa e qualitativa que se pode considerar revolucionária. Isso porque associará o centro de excelência educacional do País, localizado em São Paulo, às mais modernas tecnologias de educação a distância, abrindo oportunidades a milhares de jovens que não conseguem frequentar uma universidade porque habitam os rincões do estado ou porque trabalham em horários incompatíveis com as aulas presenciais tradicionais.

Praticamente sem sair de casa, ou em polos próximos à sua vizinhança, dotados de equipamentos administrados pela instituição ou fornecidos gratuitamente, os alunos da Universidade Virtual do Estado de São Paulo acompanharão aulas interativas, executarão suas tarefas e apresentarão os seus projetos em cursos semipresenciais.

Para frequentar os cursos, o estudante não precisará se deslocar de sua casa, a não ser em determinadas ocasiões. A maior parte das atividades se dará nos ambientes da internet, com o apoio da Univesp TV, emissora em operação desde 2009. Uma parcela das atividades terá lugar em salas de aula ou laboratórios práticos.

A Univesp coloca a educação de São Paulo na vanguarda da era do conhecimento tecnológico. O ensino superior a distância, conceito que remonta ao final dos anos 1970, com o surgimento da Open University, na Inglaterra, vem ganhando um impulso extraordinário desde o início deste século, graças à popularização da internet.

A estimativa é que, até o final desta década, metade dos cursos universitários oferecidos no mundo será ministrada por intermédio da rede de computadores. Cientes de que tecnologia sozinha não é garantia efetiva de qualidade, todas as atividades serão sempre acompanhadas por orientadores capacitados.

Mais do que isso: a Univesp terá projetos conjuntos com a USP - única instituição da América Latina entre as 70 melhores do mundo na lista da Times Higher Education -, com a Unesp, com a Unicamp e com o Centro Paula Souza, responsável pela maior rede estadual de ensino técnico e tecnológico do País.

Os cursos oferecidos serão de importância fundamental para o desenvolvimento do estado e do País. Engenharia, por exemplo - uma área com déficit de 20 mil profissionais por ano -, oferecerá graduações em engenharia da produção e engenharia da computação, entre outras opções. A Universidade Virtual do Estado de São Paulo também contará com programas de pós-graduação e de extensão cultural, como os de inglês e espanhol.

Trata-se, sem dúvida, de um passo gigantesco na política de aumento das vagas de graduação nas universidades e faculdades estaduais. Um país se faz com homens e livros, como disse o escritor Monteiro Lobato. São Paulo agora prova que se pode ir além deste conceito, fazendo uso das novas tecnologias na construção de uma educação superior verdadeiramente democrática.