Pesquisadores desenvolvem tecnologia nacional para monitoramento dos oceanos

C&T Inovação - BR

Tecnologia tornará monitoramentos dos oceanos mais ágil e com custo menor - Foto: ThinkstockTecnologia tornará monitoramentos dos oceanos mais ágil e com custo menor - Foto: Thinkstock

Pesquisadores brasileiros do Instituto de Ciências do Mar da Universidade Federal do Ceará (Labomar/UFC) tem desenvolvido, ao longo de aproximadamente três anos, uma tecnologia nacional que, além de tornar o trabalho de monitoramento dos oceanos mais ágil, irá possibilitar uma redução significativa de custos com manutenção e assessoramento técnico.


O principal objetivo é amenizar os efeitos de duas deficiências principais existentes no acompanhamento do fluxo de CO2 (gás carbônico) do litoral brasileiro: a pouca quantidade de equipes para fazer a medição dos efeitos da ação humana sobre os rios e a inexistência de tecnologias nacionais (programas de computador específicos e aparelhos) que possam ser usados na tarefa. Os aparelhos e softwares usados pelo Labomar, antes do início do projeto, eram todos fabricados na França.


De acordo com a professora Rozane Valente Marins, coordenadora do grupo de Biogeoquímica Costeira do Labomar/UFC, com esse tipo de aparelho importado, quando acontece algum problema, é preciso enviá-lo para a região Sudeste, onde há técnicos para resolver, ou trazer um profissional para o Ceará. O gasto médio com uma operação dessas fica em torno de R$ 10 mil. “Em alguns casos, é preciso mandar sondas para fora do Brasil, porque mesmo no Sudeste não há técnicos capacitados. Aí o custo sobe para 10 mil dólares”, afirma a professora.


Um dos mais importantes avanços que o projeto já proporcionou é que o equipamento francês vinha em vários módulos que precisavam ser montados no barco a cada viagem de monitoramento. O trabalho dos pesquisadores do Labomar, desenvolvido em parceria com a empresa Owen Engenharia de Automação, permitiu que eles fossem agrupados em um único rack. Isso eliminou a necessidade de um técnico para fazer a montagem (os módulos têm uma sequência específica de ligação, que demanda um profissional habilitado).


Rozane lembra, ainda, que outro benefício trazido pelo projeto é o acompanhamento, feito pela Owen, do funcionamento dos módulos. Caso algum apresente problema, o sistema da empresa detecta automaticamente e informa o que precisa ser trocado, facilitando o trabalho técnico. O acondicionamento dos módulos em rack único trouxe ainda uma vantagem: a robustez, já que os deixou mais protegidos contra os efeitos corrosivos da salinidade do ambiente marinho.


Até a conclusão do projeto, prevista para 2019, a expectativa é obter um índice de 40% de nacionalização para os equipamentos e de 100% para os softwares que eles executam. Mas Rozane ressalta que a dependência dos técnicos franceses já diminuiu consideravelmente. “A interpretação dos dados também foi outro aprendizado”, acrescenta ela.


Os pesquisadores passaram a buscar, com ajuda do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), outro parceiro no projeto, e critérios matemáticos mais rígidos, para precisar menos de operadores na execução da tarefa.


De acordo com a equipe responsável pelo projeto, a produção de um aparelho com componentes nacionais e a configuração em ambiente de hardware gratuito irão favorecer a comercialização do equipamento e o maior uso por pesquisadores nacionais. Segundo Ítalo Loiola, diretor de projetos da Owen, a expectativa é de que um equipamento pronto para comercialização esteja no mercado até o fim de 2018.


(Agência ABIPTI com informações da Confap)


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