Cortes na CT&I devem continuar com política de teto dos gastos, alerta presidente da SBPC

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O setor de ciência e tecnologia do país vem perdendo cerca de R$ 500 mil por hora, ou mais de R$ 8 mil por minuto, em investimentos federais desde 2015. Um total de R$ 11 bilhões em cortes. Essas reduções significam uma perda de cerca de 50% do total de financiamento para a produção de conhecimento entre 2015 e 2017.

Os dados são do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), divulgados pelos organizadores da campanha nacional Conhecimento sem Cortes, encabeçada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Segundo o presidente da entidade, Ildeu de Castro Moreira, está em curso um quadro de desmonte do ensino superior público do país, a exemplo da situação das universidades estaduais do Rio de Janeiro.

“Isso é uma situação trágica para a ciência e para a educação pública e está conectado a uma política mais ampla do país, de reduzir drasticamente os recursos para ciência, tecnologia e educação. E percebemos que, infelizmente, essa política tende a continuar pelos próximos anos, por conta da Emenda Constitucional 95 (do teto de gastos), que congela o orçamento da CT&I no ponto mais baixo das últimas décadas”, lamenta Ildeu.

Moreira destaca a importância do envolvimento de todos na campanha nacional contra o contingenciamento das verbas destinadas à ciência, tecnologia e educação. Ele é um dos convidados para debater nesta quarta-feira (9), na Universidade de Brasília (UnB), sobre a situação das universidades públicas no país. O evento marca a inauguração na capital federal do terceiro Tesourômetro – painel eletrônico que monitora, em tempo real, os cortes no orçamento da ciência, tecnologia e educação no Brasil.

Tatiana Roque, presidente da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (AdUFRJ), alerta para a importância de todos estarem atentos à crise nas universidades estaduais do Rio de Janeiro, pois este é apenas a ponta de um iceberg esparramado por todo o país. “A Uerj [Universidade Estadual do Rio de Janeiro] está sendo um laboratório para uma política de desmonte que parece ir muito além e que vai afetar toda a Universidade Pública do Brasil. É preciso prestar atenção e resistir”, declarou.

(Agência ABIPTI, com informações do Jornal da Ciência)