Pesquisa classifica como “dramático” os efeitos das mudanças climáticas no setor elétrico

C&T Meio Ambiente - BR

 

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) lançou nesta sexta-feira (14) um estudo feito em parceria com o Banco Mundial, que classifica como “dramático” o potencial impacto da mudança do clima nas emissões de gases de efeito estufa do setor elétrico brasileiro até 2030. Se nada for feito, diz a pesquisa, as emissões podem chegar a quatro vezes a dos níveis atuais, que são de 15 milhões de toneladas de gás carbônico por ano.

O levantamento é pioneiro ao avaliar a vulnerabilidade da geração hidrelétrica no Brasil face a cenários de baixa hidrologia causados pela mudança do clima. Como resultado, poderia haver a necessidade de ampliar o uso de termoelétricas a combustíveis fósseis para compensar a perda, o que implicaria em mais queima de combustível fóssil e aumento de emissões. A mudança do clima pode impactar também os custos de geração, com consequente aumento de preços na conta de luz de população.

O aumento na ocorrência de eventos extremos, como secas, e de dados do Sistema Integrado Nacional de energia elétrica permitiram a análise da vulnerabilidade do setor. “Olhando o passado, fazemos projeções de como poderá ser o futuro”, afirmou Christophe de Gouvello, um dos coordenadores do estudo.

Embora tenha como ponto de partida cenário de baixa hidrologia, com previsão de redução do estoque de água nas barragens geradoras, o estudo conclui que a baixa pluviosidade não é o único fator com potencial para aumentar os níveis de emissão do setor. As atividades de uso do solo (agropecuária) e o desmatamento também estão entre os fatores que vão impactar nos níveis das barragens. A boa notícia é que o fato de o Brasil ter um sistema integrado acaba reduzindo impactos locais e regionais.

O secretário de Mudança do Clima e Florestas do MMA, Everton Lucero, avalia que os dados são críticos e que terão impactos sobre a gestão hídrica e o planejamento do setor. “É preciso entender também como fontes alternativas, tais como a bioenergia, as eólicas e a geração distribuída fotovoltaica podem ser introduzidas para compensar a perda de oferta de origem hídrica” explicou.

O estudo, chamado de “Cenário de Baixa Hidrologia para o Setor elétrico Brasileiro (2016/2030)”, parte de dados históricos sobre o clima, coletados desde os anos de 1980, e sobre barragens, desde 1955. As consequências sobre os níveis de emissões do setor elétrico foram levadas em conta na definição da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) ao Acordo de Paris, que agora tem força de Lei no Brasil.

(Agência ABIPTI, com informações do Ministério do Meio Ambiente)

 


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