Brasil integra cooperação internacional para pesquisa de oceanos

C&T Internacional - Internacional

Representantes dos governos do Brasil, União Europeia (UE) e África do Sul assinaram nesta quinta-feira (13), em Portugal, a Declaração de Belém - um documento de intenções para integrar atividades de pesquisa das nações que compartilham as águas do Oceano Atlântico. O plano científico foi construído pelo Brasil e pela África do Sul, focado no aprofundamento da cooperação em pesquisa no Atlântico Sul e Tropical e em outros oceanos austrais.

O documento destaca a relevância do oceano para as economias e sociedades dos países, diante da influência marinha no clima e, consequentemente, em atividades de agropecuária, mineração, pesca e aquicultura, transporte e turismo. O plano científico reforça, ainda, a necessidade de conhecer melhor o papel das porções meridional e tropical do oceano nas mudanças climáticas das nações, dos continentes vizinhos e do planeta.

São identificadas três áreas-chave para a parceria: mudanças climáticas, controle de processos de variabilidade de ecossistemas e recursos marinhos vivos e minerais, a exemplo da biodiversidade. A geografia sul-africana favorece a abrangência dos desafios a serem compartilhados, já que o país se localiza na confluência de três sistemas oceânicos – Atlântico, Índico e Antártico.

Presente na cerimônia de assinatura do documento, o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Gilberto Kassab, afirmou que a cooperação representa um marco nas relações entre os países e fomentará o desenvolvimento científico a partir do trabalho conjunto dos pesquisadores. "A ciência é transversal e tem papel fundamental para sustentar nosso progresso. Vamos trabalhar juntos, somar nossos potenciais e empreender esforços em busca do conhecimento e do desenvolvimento científico", declarou.

O ministro também enfatizou que o país está aberto a desenvolver outras cooperações científicas em nível global. Ele citou os esforços empreendidos pelo Brasil em pesquisa oceânica por meio do Navio de Pesquisa Hidroceanográfica Vital de Oliveira e da construção da nova Estação Antártica Comandante Ferraz. “Afirmo nossa total disponibilidade em fazermos intercâmbios de informações e ações articuladas."

"O desenvolvimento deste plano é altamente simbólico, uma vez que duas nações de importância científica no hemisfério sul reconheceram a necessidade de cooperar em larga escala perante os desafios globais", comentou a titular do Departamento de Ciência e Tecnologia da África do Sul (DST, na sigla em inglês), Naledi Pandor.

A iniciativa de aprofundar a cooperação bilateral envolveu, nos últimos dois anos, esforços de equipes ligadas ao MCTIC e ao DST, com apoio de pesquisadores. A decisão de liderar a colaboração internacional em pesquisa no Atlântico Sul partiu de workshop realizado em outubro de 2015, em Brasília (DF), junto a representantes de Angola, Argentina, Namíbia e Uruguai.

(Agência ABIPTI, com informações do MCTIC)