Entidades apontam falta de incentivos para melhorar tecnologia genética no Brasil

C&T Saúde - BR

 

A presidente da Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM), Carolina Fischinger Moura de Souza, afirmou nesta terça-feira (4), em audiência pública na Câmara dos Deputados, que o incentivo ao desenvolvimento de tecnologia genética no Brasil ainda está aquém da capacidade.

 

Segundo ela, desde 2005 houve uma grande e rápida evolução da tecnologia do diagnóstico em doenças genéticas, como a redução de custo e tempo para o diagnóstico e aumento da oferta de tratamentos. Porém, ressaltou, ainda faltam incentivos para melhorar.

 

“O processo de desenvolvimento de uma nova medicação passa por muitas etapas, e estamos muito aquém no desenvolvimento de tecnologia. E temos totais condições para melhorar, mas acham que sai mais barato importar a tecnologia, do que incentivar e investir no país”, criticou Fischinger.

 

O representante do Conselho Federal de Medicina no debate, Aníbal Lopes, disse que os desafios da genética também estão ligados ao incentivo em formar geneticistas. “Atualmente existem apenas 260 médicos geneticistas em todo o país. Existem 11 programas de residência na área e com formação de 23 geneticistas por ano. Ou seja, o país não forma geneticistas e é necessário pensar mais amplamente sobre essa falta de médicos na área.”

 

Mapeamento de genes

 

Já o professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) Waldemar Naves do Amaral informou que, atualmente, uma das principais metas da genética médica é o mapeamento de genes específicos em cromossomos como parte do Projeto do Genoma Humano.

 

“A aplicação de genética avançou muito nos últimos anos. Vários distúrbios estão associados às mudanças microscopicamente visíveis no número ou na estrutura dos cromossomos e necessitam de uma análise cromossômica para diagnosticar a informação genética”, explicou Naves.

 

Ele destacou também que a análise cromossômica é um procedimento essencial no diagnóstico pré-natal. “Com a análise, é possível a detecção laboratorial de anomalias cromossômicas, em embriões antes de sua transferência para o útero, possibilitando a seleção de embriões viáveis e normais para as características testadas”, disse.

 

A deputada Flávia Morais (PDT-GO), solicitante do debate, ressaltou a importância do incentivo à carreira de geneticista e a necessidade de abertura de novos centros genéticos no Brasil.

 

(Agência ABIPTI, com informações da Agência Câmara Notícias)

 


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