Cortes na CT&I reduzirão qualidade das pesquisas brasileiras, alerta presidente da SBPC

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Helena Nader avaliou que Brasil tem ficado para trás em relação a outros países - Foto: Guilherme Feijó - CCS/CapesHelena Nader avaliou que Brasil tem ficado para trás em relação a outros países - Foto: Guilherme Feijó - CCS/CapesA presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader, discursou nesta semana, em São Paulo (SP), sobre a situação da ciência no Brasil, durante a sessão de abertura da XV Reunião Anual da Rede Nacional Leopoldo de Meis de Educação e Ciência (RNLMEC). Com os cortes sucessivos dos recursos para educação e ciência, tecnologia e inovação (CT&I), a tendência, segundo observou Nader, “é que a qualidade das pesquisas brasileiras sofra uma queda”.

 

Conforme as informações trazidas pela presidente, a qualidade da produção científica do Brasil ocupa a 17ª posição no Global Citation Index, o ranking de publicações com mais citações. Contudo, no quesito inovação, o Brasil caiu seis posições no ranking Global Innovation Index 2016, desde 2013, amargando o 69º lugar, entre 140 países. A queda é atribuída ao ambiente econômico, que prejudica a relação entre universidades e empresas.

 

Nader avaliou que o Brasil tem ficado para trás em relação a outros países como a China, a Índia, a África do Sul e a Rússia, que acreditam que o desenvolvimento científico e tecnológico é fundamental para contornar crises econômicas. Enquanto países como Coreia do Sul e Israel investem mais de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) em CT&I, a porcentagem no Brasil não chega a 1,5%, e a maior parte desse investimento é do governo.

 

“Quando se trata da participação empresarial nesses recursos, eles vêm da Petrobras, da Vale, de empresas cuja maior parte do capital é estatal”, apontou Helena Nader. “O financiamento das empresas em CT&I é pífio no Brasil. Na Coreia, as empresas contribuem com mais de 70% do total do investimento em CT&I. Os países desenvolvidos investem mais de 2% do seu PIB em ciência e tecnologia. É com isso que temos que competir”, exclamou.

 

Enquanto isso, o governo federal cortou quase pela metade o orçamento de 2017 do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), em relação à previsão inicial na Lei Orçamentária Anual (LOA). Segundo Nader, a pasta deveria receber R$15 bilhões neste ano. Mas, desse montante, cerca de R$5,5 bilhões são destinados, obrigatoriamente, para gastos com pessoal e outras despesas fixas.

 

“Ou seja, o que o MCTIC tinha era, na verdade, R$10 bilhões. E, se com a LOA, R$5 bilhões foram bloqueados como reservas contingenciadas, isso significa que o MCTIC teve um corte de 50% de sua verba”, alertou a cientista.

 

A presidente ressaltou ainda que a SBPC continua na luta contra a fusão do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação com o das Comunicações, porém, advertiu que é necessário restabelecer o orçamento da pasta: “Não adianta nos devolverem um ministério depenado como ele está”, comentou.

 

Formação

 

Para ela, há necessidade de discutir com alunos, nas salas de aula, a importância do papel da ciência para o desenvolvimento do país, e da formação de recursos humanos na cadeia do desenvolvimento científico e tecnológico nacional, e diagnosticou que as falhas de formação precisam ser observadas desde o ensino fundamental.

 

Conforme os recentes resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), que avalia estudantes do 8º ano do Ensino Fundamental, o desempenho dos alunos brasileiros caiu desde a edição anterior, de 2012, colocando o Brasil na 59ª posição em leitura, 63ª em ciências e 66ª em matemática. “Nas três disciplinas ficamos abaixo da média da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico]. Isso é uma aberração, porque esse estudante que vai chegar à universidade com um déficit. E a graduação deverá suprir essa falha. Isso tem que mudar”, afirmou.

 

A presidente da SBPC também contou que, apesar da grande expansão das universidades públicas, 75% do contingente de universitários continua concentrado nas instituições privadas. Além disso, nas universidades federais o índice de evasão dos estudantes, entre o 2º e o 3º ano, é altíssimo, de acordo com Nader. Cerca de 50% dos ingressantes desistem dos cursos. “Em algum momento temos que ver o que estamos fazendo com os cursos nas universidades”, alertou.

 

Já na pós-graduação, ela mostrou que, entre 1998 e 2015, houve uma grande melhora na distribuição dos programas pelas diferentes regiões do país. Porém, quando se observa os programas que tiveram notas de excelência, as diferenças gritam: 84% das universidades que possuem pós-graduação com esse nível estão no Sudeste; enquanto que na região Norte, nenhum programa atingiu esse conceito ainda. “São diferenças graves na qualificação profissional pelo país. Precisamos ter competências em todas as regiões”, ponderou.

 

(Agência ABIPTI, com informações do Jornal da Ciência)

 


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