Tecnologia nuclear auxilia na preservação de 20 mil peças culturais no Brasil

C&T Inovação - BR

A tecnologia nuclear desenvolvida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) já permitiu a preservação de 20 mil peças culturais, incluindo obras de artistas brasileiros como Tarsila do Amaral, Anita Malfati, Di Cavalcanti, Candido Portinari e Alfredo Volpi. Usando a radiação gama, os pesquisadores conseguiram eliminar fungos e insetos, protegendo acervos e bens culturais.

"O problema no Brasil é o clima, a umidade e os desastres naturais. Temos uma quantidade maior de fungos e cupins do que outros países, e eles podem ser destrutivos para livros, pinturas, peças de madeira, móveis, esculturas e arte moderna", explica o pesquisador Pablo Vásquez, coordenador do Irradiador Multipropósito de Cobalto-60 do Centro de Tecnologia das Radiações do Ipen.

As obras não precisam ser diretamente expostas à radiação, pois podem ser mantidas em caixas fechadas. Segundo Vásquez, cada peça recebe uma dose específica de radiação para evitar danos. Esta quantidade é definida após cuidadosa análise feita por meio de diferentes técnicas, incluindo radiografia, fluorescência e difração de raios X.

Em alguns casos, as técnicas revelam detalhes "escondidos", como o tipo de pigmento que o artista usou, o que ajuda a identificar o método de preservação mais adequado. "Artistas modernos dificilmente usam apenas um tipo de material em suas obras, o que torna desafiadora a definição da dose de radiação", afirma o pesquisador.

Ele lembra que a tecnologia também já foi usada em livros, mobílias de vários museus brasileiros e instrumentos musicais. "A tecnologia de radiação tornou-se parte essencial do nosso processo de conservação. Juntando esses dois mundos, estamos preservando nossa herança e descobrindo detalhes do nosso passado de uma maneira que nunca tínhamos feito antes", comenta Vásquez.

O pesquisador conta que o Ipen deve receber, do Equador, três múmias que foram atacadas por insetos e fungos. "Estou contente que especialistas e organizações internacionais estejam colocando cada vez mais importância na preservação do patrimônio cultural, porque nosso patrimônio é o que representa a identidade da nossa nação. Devemos continuar a trabalhar para protegê-lo", defendeu.

(Agência ABIPTI, com informações do MCTIC)



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