Mais de dez cidades brasileiras aderem à Marcha pela Ciência

C&T Internacional - Internacional

No próximo sábado (22) cientistas de todo o mundo marcharão em mais de 500 cidades do mundo para chamar atenção ao importante serviço que a comunidade científica presta à sociedade e pedir aos políticos que parem de propor projetos não baseados em evidências. No Brasil, onde a ciência, tecnologia e inovação (CT&I) estão em risco por conta dos cortes nos orçamentos do governo, a Marcha pela Ciência está confirmada em mais de dez cidades.

Há sites e convocação nas redes sociais para eventos em Belém, Belo Horizonte, Diamantina, Natal, Pato Branco, Petrópolis, Petrolina, Porto Alegre, Manaus, Rio de Janeiro e São Paulo. As marchas estão sendo organizadas localmente por cientistas e entusiastas da ciência e envolvem instituições de ponta em ciência e educação. No Brasil, por exemplo, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) já manifestou seu apoio, assim como a Universidade de São Paulo (USP).

“Temos carência de políticas públicas e investimentos que favoreçam a pesquisa científica. Os estudos da comunidade científica trazem inúmeros benefícios à sociedade, da saúde pública à economia, passando pelo meio ambiente e novas tecnologias sustentáveis”, destaca Felipe Simões, aluno de graduação em Biologia pela USP e um dos organizadores do evento na capital paulista.

Em São Paulo, um dos objetivos é também lutar pela democratização dos estudos científicos, tornando-os mais acessíveis e abertos à comunidade. “As pessoas não se interessam pela ciência e parte disso se deve à falta de preparo dos próprios cientistas para lidar com a divulgação dos estudos de maneira fácil e objetiva. Por isso queremos também conscientizar a comunidade científica sobre a importância dessa parceria com a comunidade. A ciência deve ser inclusiva”, afirma Flávia Virginio Fonseca, aluna de doutorado do Departamento de Parasitologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.

Já a questão dos cortes orçamentários será o principal mote da marcha no Rio de Janeiro, onde os organizadores utilizarão tesouras de papelão para fazer um “tesouraço” denunciando e criticando os enormes cortes que ocorreram nos recursos para CT&I no país e no estado carioca, bem como em outras áreas como educação, meio ambiente e cultura.

Lançada nos Estados Unidos (EUA) em reação à tentativa de Donald Trump de desmontar organizações científicas do governo e passar decretos que vão contra evidências científicas, a Marcha pela Ciência logo ganhou adeptos por todo o mundo.

(Agência ABIPTI)