Biosensor controla qualidade de carnes e identifica fraudes

C&T Inovação - BR

A Fundação Ezequiel Dias (Funed), em colaboração com pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), desenvolveram um biosensor para controlar a qualidade das carnes e identificar fraudes. O objetivo é evitar problemas sanitários como o investigado pela Polícia Federal na operação “Carne Fraca”.

De acordo com seus desenvolvedores, o dispositivo é simples, pequeno e portátil. Ele é capaz de analisar a presença de carne de cavalo, boi, cachorro, galinha, coelho e porco, além de identificar a quantidade. “Fizemos vários testes nos quais detectamos que, muitas vezes, a descrição no rótulo não confere com o produto. Por isso, o biosensor ajudará no controle de qualidade e, como consequência, na saúde do consumidor”, explica o coordenador das pesquisas, Luiz Guilherme Heneine.

A aplicabilidade do produto é diversa. O empresário que quiser, por exemplo, exportar seus produtos adequadamente pode usar o teste como uma ferramenta de rastreabilidade e, desta forma, comprovar a qualidade da carne. Já os órgãos reguladores também podem usar o biosensor para fiscalizar se os ingredientes citados no rótulo estão de acordo com as proporções autorizadas e identificar misturas impróprias.

No Brasil, ainda não existe tecnologia para essa finalidade. Após quase dez anos de pesquisa, Heneine acredita que se tiverem o investimento necessário, é possível que em cinco anos o produto possa ser comercializado em grande escala. Enquanto isso, um plano de negócio já está sendo montado.

Os biosensores detectam a presença ou ausência de uma substância por meio da ligação de um biocaptor (nesse caso um anticorpo específico para determinada espécie de carne) e enviam essa informação através de energia elétrica ou óptica para circuitos eletrônicos, que as amplificam, permitindo aos operadores dos equipamentos receberem a informação para análise posterior.

Existem vários tipos de biosensores. Nesse caso, os pesquisadores usam o impedimétrico,que sinaliza quando algo atrapalha o equilíbrio que existia, aumentando a resistência à passagem da corrente elétrica. Isso torna possível identificar a espécie de carne em função do anticorpo presente no biosensor. Para isso ocorrer, os pesquisadores definiram seis tipos de carnes de animais que seriam testadas e fizeram os anticorpos para cada espécie. Assim, o teste só reconhecerá a carne para a qual foi desenvolvido.

(Agência ABIPTI com informações da Fapemig)

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