Seca no Nordeste abre discussão sobre impacto das tecnologias de dessalinização

C&T Meio Ambiente - BR

A seca que já dura cinco anos na região do Nordeste tem despertado o interesse de iniciativas privadas e públicas para soluções de tecnologia que promovam a dessalinização da água do mar. Neste mês, o governo do Ceará lançou edital para elaboração de uma planta de dessalinização na região metropolitana de Fortaleza (CE), com capacidade para gerar 1 metro cúbico por segundo (m³/s) de água potável para a rede de abastecimento, o que equivale a cerca de 15% do consumo de Fortaleza.

O assunto entrou em discussão em um simpósio da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), em Fortaleza. Na ocasião especialistas nacionais falaram sobre os impactos das tecnologias de dessalinização na matriz hídrica do país e também sobre o reuso das águas. “Países semelhantes ao Brasil, com regiões [climáticas parecidas com as do] Nordeste, têm experimentado essa tecnologia, porque é uma forma de minimizar o impacto às populações. No Ceará, isso salvaguardaria nossos açudes”, explicou o diretor da região Nordeste da Abes, Francisco Vieira Paiva.

No Brasil, a dessalinização ainda está nos primeiros passos. Fernando de Noronha (PE) é pioneira no assunto, pois possui uma usina de dessalinização para consumo humano que apoia o sistema de abastecimento da ilha, especialmente nos períodos de estiagem. O distrito estadual possui apenas um açude, o Xaréu, além de poços.

Outras experiências no país são de iniciativa privada. Um exemplo é a Usina Termoelétrica (UTE) Porto de Sergipe, que vai utilizar água dessalinizada em seus processos. Segundo Francisco Vieira Paiva, o uso de água dessalinizada para abastecimento de cidades já era debatido no Ceará 15 anos atrás. Mas, à época, não havia políticas públicas para abranger a inovação. Apesar de a ideia apenas agora começar a tomar contornos reais, Paiva considera que o momento é ideal.

“Acredita-se, sempre, que até dia 19 de março [dia de São José, padroeiro do Ceará] vai chover, mas vemos que a realidade não é mais essa. A população, as indústrias e o consumo aumentam. De alguma forma, à adesão a esta nova tendência está atrasada, mas sempre é o momento para começar”, afirma o diretor.

(Agência Abipti com informações da Agência Brasil)


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