Inpe capta imagens por satélite que ajudam a reduzir impactos de desastres naturais

C&T Meio Ambiente - BR

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) está aprimorando o sistema de aquisição de imagens em caráter emergencial do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS-4, em inglês). A iniciativa começou em março logo após a passagem do ciclone tropical Enawo por Madagascar, quando o Inpe fez uma aquisição emergencial de imagens do CBERS-4. As imagens, obtidas por meio de gravador de bordo, foram gravadas e retransmitidas para os computadores do Inpe.

A ocorrência do ciclone em Madagascar permitiu ao Inpe testar o procedimento de aquisição de imagens em uma região fora da cobertura da antena de Cuiabá, em uma situação emergencial. O monitoramento de desastres naturais é considerado hoje uma das aplicações mais importantes do sensoriamento remoto por satélites, contribuindo para a resposta e a redução dos impactos de deslizamentos de terra e inundações provocados por eventos extremos.

Para o pesquisador do Departamento de Divisão de Processamento de Imagens do Inpe, Laércio Namikawa, os satélites de observação da Terra adquirem imagens ao longo de sua órbita, que podem ser enviadas simultaneamente ou gravadas a bordo do satélite. "Na aquisição mais comum, o Inpe adquire imagens no modo simultâneo, o que limita a captura às imagens que estão na cobertura da antena de recepção em Cuiabá, no Mato Grosso. Utilizando o gravador de bordo, pode-se adquirir imagens de qualquer ponto do planeta", explica.

O satélite CBERS-4 tem quatro câmeras de geração de imagens, com resoluções espaciais entre 5 e 64 metros e resoluções temporais de 5 a 52 dias. "O conjunto de câmeras é adequado para a observação e monitoramento da maioria dos eventos geográficos. Em números, as imagens adquiridas sobre a América do Sul diariamente somam 60 gigabytes de informação bruta, que devem ser processadas e armazenadas pelo Inpe. Com o uso do gravador de bordo, estes números podem dobrar", informa Namikawa.

O Centro de Rastreio e Controle de Satélites do Inpe, dedicado ao controle da órbita e à operação de satélites, é o responsável pela definição do dia e hora em função da região a ser "mapeada" e da programação destes horários no CBERS-4, em conjunto com o centro chinês, enviando os comandos apropriados para o satélite.

O pesquisador afirma que imagens de satélite foram usadas no mapeamento da região afetada pela lama em Mariana (MG), após o rompimento de uma barragem. Isso porque o desastre teve as mesmas características de uma inundação. Adicionalmente, também foi possível visualizar a dispersão da lama ao longo do rio Doce e no Oceano Atlântico. O sensoriamento remoto também foi utilizado no deslizamento de terra na região serrana do Rio de Janeiro, em 2011. "As imagens captadas permitiram observar e quantificar os danos da tragédia", lembra o pesquisador do Inpe.

(Agência ABIPTI com informações do MCTIC)

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