Pesquisa descobre maior bioma marinho do Brasil

C&T Meio Ambiente - BR

Foto: Divulgação/ WWFFoto: Divulgação/ WWF

Pesquisadores do projeto International Ocean Discovery Program (IODP), em parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), descobriram um novo espaço de recifes marinhos amazônico que cobre a área de, pelo menos, 50 mil Km². A descoberta caracteriza o sistema recifal brasileiro como o maior bioma marinho do país.

 

O bioma tem início a 100 km da desembocadura do rio Amazonas e se localiza sob uma espessa pluma de sedimentos levados pelas águas do rio. Como a densa camada de sedimentos impede a penetração de luz solar, e consequentemente o conhecimento a respeito dos recifes, anteriormente acreditava-se que o bioma atingia a extensão de apenas 9500 Km², ou seja, pelo menos cinco vezes menor.

 

Outra descoberta da pesquisa foi a arquitetura do bioma. A nova forma de exploração com uso de submarinos na região da margem equatorial na foz do Amazonas permitiu determinar a estrutura do novo bioma em outra escala. “Vastas áreas consideradas outrora homogêneas por análises de sísmica e de sedimentologia são muito mais ricas em estruturas tridimensionais e biodiversidade do que se imaginava. Demonstrando, portanto, a relevância deste tipo de imageamento e análise in situ do fundo marinho”, explica Fabiano Thompson, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e integrante da equipe de pesquisa.

 

Para o pesquisador, o estudo tem relevância para a realidade brasileira. “A margem equatorial brasileira é a região mais cobiçada por grandes nações desenvolvidas e, ao mesmo tempo, a região menos conhecida da nossa nação. Nosso entendimento das riquezas e potenciais da margem equatorial é muito reduzido, nos colocando em uma posição desfavorável frente aos desafios globais”.

 

Segundo Thompson, a pesquisa é de alta complexidade e precisa continuar em desenvolvimento. O pesquisador afirma que esse é o maior mega-bioma do planeta e o maior sistema recifal do Brasil, inserido no contexto da maior floresta do mundo, a Amazônia, e do maior complexo de mangues do mundo, presente na costa do Pará e Amapá.

 

A equipe também é composta pelo professor da Universidade de São Paulo (USP), Eduardo Siegle, pelos pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Ronaldo Francini e da Universidade Federal do Pará (UFPA), Nils Asp. A expedição deste ano foi realizada em parceria com a Organização não Governamental (ONG) ambiental internacional Greenpeace.

 

Também contribuíram para o projeto os professores Carlos Rezende, da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) e Alberto Figueiredo, da Universidade Federal Fluminense (UFF).

 

(Agência ABIPTI com informações da CAPES)

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