SGDC pode gerar impactos positivos na banda larga, defesa e setor aeroespacial

C&T Inovação - BR

Representantes do governo e do setor de telecomunicações debateram sobre os benefícios trazidos com o SGDC - Foto: Herivelto Batista/ASCOM-MCTICRepresentantes do governo e do setor de telecomunicações debateram sobre os benefícios trazidos com o SGDC - Foto: Herivelto Batista/ASCOM-MCTICO Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) será lançado ao espaço no dia 21 de março a partir do Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa. Com o objetivo de detalhar a lista de benefícios que o equipamento vai trazer à soberania nacional, o governo federal promoveu nesta terça-feira (14), em Brasília (DF), o simpósio “Lançamento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas: Benefícios para o País”.

Conforme apresentado pelos palestrantes do governo e setor de telecomunicações, o SGDC trará mudanças positivas em três eixos: na ampliação da cobertura de internet banda larga no Brasil – operada pela Telebras –, com melhorias nos sistemas de telecomunicações militares e na absorção de tecnologia para o setor aeroespacial. De acordo com o diretor técnico-operacional da Telebras, Jarbas Valente, a previsão é de que as operações do equipamento comecem já na segunda metade deste ano.

“O SGDC cobrirá com sua banda larga o Brasil de norte a sul, leste a oeste, com a mesma qualidade e intensidade de potência, garantindo a comunicação em velocidades iguais em qualquer parte do Brasil. A capacidade pode chegar até 65 gigabytes por segundo”, informou Valente. “Hoje são 3.601 municípios abaixo da média da densidade de internet. A maioria na região Nordeste, atingindo 34,7 milhões de brasileiros. Por isso a importância desse satélite para o Brasil”.

 

Segundo ele, a Telebras atuará por meio de parceiros para levar internet aos cidadãos, com a venda da capacidade da banda Ka às companhias de telecomunicação. A negociação será dividida em quatro lotes principais, que terão 100% de cobertura em todo o Brasil. Haverá ainda leilão para outros três lotes, pelo maior preço, para companhias que atuam em modelos de concessão, permissão e autorização de serviços de telecomunicações.

 

“Por meio dos lotes, as empresas, de forma pública e transparente, podem chegar na Telebras e participar do leilão. Aquela que oferecer as maiores vantagens compram nossa capacidade e levam o serviço de banda Ka, que é de alta potência e diferente da banda Ku, que quando chove ou há algum tipo de intempérie, tem dificuldade em receber o sinal”, explicou o diretor técnico-operacional.

 

Soberania

 

A proteção da soberania nacional foi uma das vantagens do SGDC apontada pelo coronel Anderson Tesch Hosken, da subchefia de Comando e Controle do Ministério da Defesa. Na situação atual, Hosken informou que a pasta é obrigada a contratar empresas para fazer serviços satelitais, por não ter um satélite próprio, o que torna a defesa do país mais frágil.

 

“A empresa que oferece essa capacidade pode até ser considerada brasileira, mas pode ter acionistas em outros países que têm poder de comando. Se for controlada de fora, não há como garantir a soberania. O SGDC vem para mudar esse cenário”, comentou Hosken. “O satélite oferece ainda uma capacidade muito maior em frequência e potência, o que vai permitir o emprego de maior número de terminais simultaneamente e de menor porte, favorecendo as operações militares”.

 

Aeroespacial

 

Para o tecnologista da Agência Espacial Brasileira (AEB) e um dos responsáveis pela construção do satélite, Pedro Kaled, um dos pontos mais positivos com a implementação do SGDC é a absorção de tecnologia aeroespacial adquirida pelo Brasil com todo o processo de fabricação. Mais de 50 técnicos brasileiros foram levados em missões para outros países para aprenderem sobre toda a cadeia produtiva do satélite.

 

“Acredito que a absorção de tecnologia vai capacitar nossas indústrias para estarem no limite da tecnologia e competitividade do mercado internacional, ficando no nível tecnológico dos países mais avançados. Quando pensarmos as missões futuras, podemos saber que uma companhia nacional pode oferecer um equipamento tão bom quanto um internacional”, comentou Kaled.

 

Satélite

 

O SGDC será o único equipamento em banda Ka que cobrirá todo o Brasil. O satélite terá 70% da sua capacidade voltada para ampliar a oferta de internet banda larga no país. Os 30% restantes são destinados às comunicações estratégicas das Forças Armadas brasileiras. O tempo de operação será de até 19 anos.

 

Ao custo de R$ 2,1 bilhões, o desenvolvimento do SGDC é uma parceria entre o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e o Ministério da Defesa. Ele terá dois centros de controle, um em Brasília (DF) e outro no Rio de Janeiro (RJ), e também cinco estações terrestres com equipamentos que captam o tráfego de informações, implantados no Distrito Federal, Rio de Janeiro, Florianópolis, Campo Grande e Salvador.

 

(Leandro Cipriano, da Agência ABIPTI)